quarta, 10 de junho de 2026

ONU alerta para volta do El Niño e risco de calor extremo e inflação nos alimentos nos próximos meses

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada às Nações Unidas, emitiu um alerta nesta terça-feira (2) prevendo o desenvolvimento de um novo fenômeno El Niño que pode variar de moderado a forte. A expectativa é de que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico aumente as temperaturas globais e eleve consideravelmente o risco de desastres climáticos extremos em várias partes do planeta ao longo dos próximos meses. De acordo com os cientistas, a tendência é que as temperaturas fiquem acima da média mundial entre os meses de junho e agosto, e o fenômeno deve se estender pelo menos até novembro.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento temporário do Oceano Pacífico central e oriental, com ciclos que costumam durar de nove a doze meses. Embora os modelos de previsão apresentem variações sobre a intensidade exata do fenômeno, as autoridades globais reforçam que a preparação imediata é fundamental. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, explicou que um evento forte pode agravar tanto períodos de seca severa quanto de tempestades de chuva intensa, além de provocar ondas de calor sufocantes na terra e no mar. O último El Niño forte, registrado entre 2023 e 2024, foi um dos grandes responsáveis por transformar 2024 no ano mais quente da história do planeta.

Os impactos desse padrão climático costumam desregular o clima regional de forma severa. Enquanto regiões como o sul da América do Sul, os Estados Unidos, a Ásia Central e partes do Chifre da África podem sofrer com o excesso de chuvas, locais como a Austrália, a América Central, a Indonésia e o sul da Ásia correm sérios riscos de enfrentar secas extremas. Além disso, o El Niño favorece o surgimento de furacões nas áreas central e oriental do Pacífico. Diante desse cenário, a ONU alerta para consequências humanitárias graves, incluindo a escassez de água e comida, além da proliferação de doenças transmitidas por insetos como mosquitos e carrapatos, o que deve sobrecarregar ainda mais as comunidades que já vivem em situação de vulnerabilidade.

A economia global e o bolso dos consumidores também devem sentir os reflexos do clima. Em um cenário já pressionado pela inflação decorrente dos conflitos envolvendo o Irã, o El Niño ameaça encarecer ainda mais os alimentos. Grandes indústrias, como a processadora de cacau Barry Callebaut, já acompanham a situação com preocupação, prevendo que quebras de safra no Equador e na África Ocidental — responsáveis por mais da metade da produção mundial do fruto — podem disparar os preços das commodities agrícolas. Diante do reservatório de calor armazenado no oceano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou o apelo global para que as nações acelerem a transição dos combustíveis fósseis para fontes de energia renovável, classificando a situação como um aviso urgente de que o El Niño irá intensificar o aquecimento global.

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