quinta, 16 de julho de 2026

ONGs de proteção animal defendem proibição de produtos feitos com alimentação forçada

Várias organizações que atuam na defesa dos direitos dos animais divulgaram uma carta aberta para pedir que a presidência da República aprove o Projeto de Lei (PL) 90/2020. A proposta, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e enviada ao Palácio do Planalto no dia 6 de julho, proíbe a fabricação e a venda de alimentos produzidos por meio da alimentação forçada de animais. O presidente tem um prazo de 15 dias úteis para analisar o texto e decidir se o transforma em lei. A medida conta também com o apoio de frentes parlamentares do Congresso Nacional ligadas ao meio ambiente e à proteção animal.

O alvo principal da proposta é o “foi gras”, um prato tradicional da culinária francesa feito com o fígado gordo de patos, gansos e marrecos. Para obtê-lo, os produtores utilizam uma técnica chamada gavagem, na qual um tubo de metal é colocado diretamente na boca e no esôfago das aves para introduzir comida em excesso. Esse processo provoca uma doença no fígado do animal, que aumenta de tamanho consideravelmente, e é justamente esse órgão doente que é vendido como uma iguaria de luxo. Na internet, o produto chega a ser comercializado por valores que vão de R$ 350 a R$ 5 mil o quilo.

Defensores da causa animal apontam que a alimentação forçada causa um sofrimento extremo e dores intensas nas aves por várias semanas. De acordo com George Sturaro, diretor da organização Mercy For Animals no Brasil, a proibição é urgente por razões éticas e não trará impactos negativos para a economia do país. Segundo ele, existem apenas duas empresas que produzem o alimento no Brasil e ambas operam em pequena escala, já possuindo alternativas de faturamento, como a venda de patês de fígado tradicionais que não utilizam a técnica cruel.

Atualmente, a maior parte do produto consumido no Brasil vem do exterior, principalmente da França, movimentando cerca de 1 milhão de euros por ano. Embora o projeto de lei não proíba diretamente a importação, ele veda a comercialização em todo o território nacional, o que na prática impede as vendas no país. Se a lei for sancionada, o Brasil se juntará a uma lista de locais que já baniram a prática por razões humanitárias, como a Argentina, Índia, Austrália, Israel e 22 países da União Europeia.

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