segunda, 6 de julho de 2026

Onda de calor histórica atinge a Europa com termômetros em 40°C e deixa rastro de mortes e apagões

Uma onda de calor sem precedentes elevou as temperaturas a marcas extremas de 40 graus Celsius em diversas regiões da Europa Central e Ocidental no último domingo. O fenômeno climático severo sobrecarregou os sistemas de saúde e provocou mais de mil mortes apenas na França. Cientistas já classificam este episódio, iniciado no dia 20 de junho, como o pior período de calor extremo já registrado na história do continente europeu.

A agência de saúde pública francesa detalhou que a grande maioria das vítimas fatais é composta por idosos. As autoridades emitiram um alerta indicando que o balanço de óbitos deve aumentar nos próximos dias, à medida que chegarem os relatórios de mortes ocorridas em residências particulares e asilos. De acordo com especialistas, o aquecimento global tornou o aumento das temperaturas noturnas registrado nesta semana até 100 vezes mais provável do que há duas décadas, tornando o fenômeno praticamente impossível de acontecer sem a interferência humana no clima. A situação gerou um forte pronunciamento do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que destacou em suas redes sociais que 150 milhões de pessoas estão sob risco climático e alertou que as estruturas de moradia e trabalho europeias não foram projetadas para suportar essa realidade.

Além do impacto direto na saúde, a infraestrutura do continente sofreu graves consequências. Na Alemanha, o calor afetou os trilhos, reduzindo a circulação de trens no estado da Renânia do Norte-Vestfália e paralisando os bondes em Leipzig. Países como Áustria, República Tcheca e Polônia também quebraram recordes históricos de temperatura. O calor extremo secou e aqueceu os rios locais, prejudicando a agricultura e a geração de energia. Na Hungria, a usina nuclear de Paks precisou reduzir sua produção porque as águas do Rio Danúbio ficaram quentes demais para resfriar os reatores. Na Itália, o Rio Pó secou a ponto de permitir que a água do mar avançasse 18 quilômetros terra adentro, ameaçando plantações e reservas ambientais. O calor sufocante levou milhares de pessoas a buscarem rios e lagos para se refrescar, resultando em dezenas de afogamentos — incluindo o desaparecimento do marido da ministra italiana Eugenia Roccella em um lago próximo a Roma.

Apesar dos transtornos causados por tempestades severas que cortaram a energia de 36 mil casas na França no final de semana, a previsão do tempo traz um alento, indicando que uma frente de ar mais frio deve derrubar as temperaturas na Europa Ocidental nos próximos dias. Contudo, os meteorologistas alertam que a massa de ar quente agora avança em direção ao interior da Europa Central e da região dos Balcãs, enquanto autoridades de saúde francesas advertem que as complicações médicas decorrentes dos dias seguidos de calor extremo ainda podem ser sentidas pelas populações locais por até dez dias.

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