

A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma taxa de 25% sobre produtos importados do Brasil sob a justificativa de combate ao desmatamento gerou forte reação de entidades ambientais. O secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, classificou o argumento da gestão de Donald Trump como sem fundamento, afirmando que a questão ambiental vem sendo utilizada apenas como pretexto para criar protecionismo comercial, desconsiderando que o próprio governo americano se retirou do Acordo de Paris e não adota as mesmas exigências para outros países.

As críticas norte-americanas contrastam com os dados recentes sobre a preservação ambiental no país. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento divulgado pelo MapBiomas, o Brasil alcançou em 2025 o menor patamar de devastação da vegetação nativa desde 2019, caindo para menos de 1 milhão de hectares destruídos no ano. O resultado reflete uma queda de mais de 20% em comparação ao ano anterior, impulsionada pelo fortalecimento das ações de fiscalização do Ibama com o apoio de recursos do Fundo Amazônia.
Apesar da trajetória de queda em praticamente todos os ecossistemas — com destaque para o Pantanal, que reduziu a destruição quase pela metade —, a Amazônia e o Cerrado ainda concentram a maior parte da perda de vegetação no país. Os dados do levantamento mostram que a expansão da agropecuária continua sendo a principal responsável pela conversão de áreas nativas, enquanto atividades como o garimpo ilegal concentram-se na região amazônica e os impactos da expansão urbana e de projetos de energia afetam áreas de Caatinga e Cerrado.










