quarta, 10 de junho de 2026

Número de pessoas em situação de rua passa de 388 mil no Brasil, aponta levantamento

O cenário da vulnerabilidade social no Brasil atingiu marcas preocupantes em maio de 2026. O Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), ferramenta do governo federal utilizada para mapear a população de baixa renda, contabilizou 388.855 pessoas vivendo em situação de rua em todo o território nacional. Os dados foram analisados pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revelando que o Sudeste atrai a maior parte desse contingente devido à busca por emprego, embora a região muitas vezes não consiga absorver adequadamente quem chega com esse objetivo.

O estado de São Paulo desponta isolado na liderança dessa estatística, concentrando 159.290 indivíduos sem moradia fixa, o que equivale a 40% de todo o total registrado no país. Esse número é expressivamente maior do que os indicadores do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, que ocupam a segunda e a terceira posição no ranking nacional, respectivamente. Os pesquisadores chamam a atenção para o crescimento desproporcional em solo paulista, onde o volume de pessoas nessas condições praticamente dobrou nos últimos cinco anos. O Rio de Janeiro e Minas Gerais também apresentaram trajetórias de alta contínua no mesmo período.

O estudo também acendeu um sinal de alerta na Região Norte, com destaque negativo para o estado de Roraima. Enquanto estados de menor porte costumam manter esses índices estáveis, a população de rua roraimense deu um salto alarmante, impulsionada quase que totalmente pela realidade vivida na capital, Boa Vista. Outra característica marcante do levantamento é a forte concentração desse público nas grandes cidades brasileiras. Em estados como o Ceará e o Rio de Janeiro, a esmagadora maioria das pessoas sem teto está aglomerada nas capitais Fortaleza e Rio de Janeiro. No estado de São Paulo, a capital e sua região metropolitana respondem por mais de dois terços dos registros estaduais.

Ao classificar as unidades da federação, o observatório enquadrou o Distrito Federal e estados como Santa Catarina, Pernambuco, Goiás e Pará em um nível de gravidade intermediária. Por outro lado, o Amapá, o Acre, o Tocantins, Rondônia e o Piauí registraram os indicadores menos severos do país. De forma geral, o perfil traçado pela pesquisa evidencia uma profunda desigualdade social e racial: seis em cada dez pessoas vivendo nas ruas do Brasil estão concentradas na Região Sudeste e sete em cada dez cidadãos nessa situação de extrema vulnerabilidade são negros.

Notícias relacionadas