

As recentes medidas tarifárias anunciadas pelo governo dos Estados Unidos vão impactar US$ 6,6 bilhões em produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano, segundo levantamento divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O montante refere-se a 16,5% do total vendido pelo país à nação norte-americana, que passará a arcar com uma sobretaxa acumulada de 37,5%. O tarifaço resulta da soma de uma alíquota adicional de 25%, referente a investigações comerciais específicas contra o Brasil, com uma nova taxa de 12,5% aplicada a dezenas de países com base em diretrizes sobre cadeias de suprimentos e trabalho.

A alíquota mais alta vai incidir sobre setores como máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, derivados de madeira, óleos e gorduras. Por outro lado, produtos de grande relevância na pauta exportadora brasileira — a exemplo de café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, ferro fundido e a maior parte da celulose — ficaram de fora das novas sobretaxas e mantiveram as tarifas ordinárias de importação. Além disso, produtos sujeitos a restrições setoriais pré-existentes ligadas à segurança nacional norte-americana, como aço e alumínio, não sofreram o acúmulo das novas alíquotas.
A imposição das tarifas consolida um cenário de desaceleração nas trocas comerciais entre as duas nações. Após alcançar o recorde de US$ 40,4 bilhões em vendas para os Estados Unidos em 2024, as exportações brasileiras registraram queda no ano seguinte e mantiveram trajetória de retração no primeiro semestre de 2026, com quedas acentuadas nos embarques de petróleo bruto e insumos de ferro e aço. Na avaliação do governo brasileiro, a intensificação das barreiras tarifárias amplia a incerteza no comércio bilateral, embora mais da metade do valor exportado pelo Brasil continue sem a incidência das novas taxas adicionais.











