segunda, 13 de julho de 2026

Nova terapia celular desenvolvida no Brasil apresenta alta eficácia no combate a cânceres do sangue

Uma pesquisa pioneira desenvolvida no Hemocentro de Ribeirão Preto, em colaboração com o Instituto Butantan e o Ministério da Saúde, trouxe resultados promissores para pacientes com linfoma e leucemia que não obtiveram sucesso com os tratamentos convencionais, como quimioterapia, radioterapia e transplantes. O estudo sobre a terapia celular CAR-T Cell, que recebeu um investimento de R$ 100 milhões do governo federal, registrou uma taxa de resposta de 87,5% em voluntários com linfoma não Hodgkin que já haviam esgotado outras opções terapêuticas.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou os resultados preliminares nesta quarta-feira (10) e ressaltou que a Anvisa tratará o desenvolvimento como um produto inovador, agilizando as etapas de avaliação. Como o protocolo exige um acompanhamento rigoroso de pelo menos um ano para garantir a segurança e a eficácia, a expectativa é que o processo de registro seja concluído em cerca de um ano e meio.

Atualmente, terapias similares disponíveis na rede particular chegam a custar R$ 2,5 milhões por paciente. A aposta do governo é que, ao ser incorporado ao SUS, o tratamento seja oferecido gratuitamente à população. A redução de custos será possível graças à escala de produção em instituições públicas e sem fins lucrativos, incluindo a nova fábrica de Ribeirão Preto, considerada a maior do setor na América Latina, com capacidade para produzir mil terapias anualmente.

Além do linfoma, a pesquisa estende seu alcance para crianças e adolescentes com leucemia linfoide aguda, o tipo de câncer mais frequente na infância. Embora a maioria dos pequenos responda bem aos tratamentos tradicionais, a terapia CAR-T Cell surge como uma esperança de cura para os cerca de 10% dos pacientes que não apresentam melhora.

Paralelamente aos avanços na terapia celular, o governo federal anunciou um aporte adicional de R$ 180 milhões para a segunda fase do programa Genomas Brasil. O projeto, que mapeia a diversidade genômica da população brasileira, agora será expandido para novas universidades e hospitais do SUS, permitindo o diagnóstico precoce de doenças raras. Segundo Padilha, graças ao mapeamento genético, o tempo para identificar condições raras em crianças, que antes levava anos, pode ser reduzido para os primeiros seis meses de vida, garantindo um início de tratamento muito mais rápido e eficaz.

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