

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo lançou uma atualização importante no sistema do Cadastro Ambiental Rural (CAR) Online para tornar a fiscalização de terras mais justa e realista. Trata-se da camada temática batizada de “Fatores de Perturbação”. Essa nova ferramenta muda a forma como os danos sofridos por matas e florestas nativas são declarados e analisados pelo Governo do Estado, garantindo que as imagens capturadas por satélite correspondam exatamente à realidade enfrentada no dia a dia do campo.

Na prática, a novidade funciona como um mapa detalhado onde o produtor pode sinalizar incidentes que prejudicaram a vegetação natural de sua propriedade após 22 de julho de 2008, mas que ainda precisam ser regularizados perante a lei. Para evitar fraudes, o sistema conta com travas de segurança automáticas. Isso significa que as marcações de danos só podem ser feitas em locais já registrados como de preservação (como Reservas Legais ou Áreas de Preservação Permanente) e o programa impede que essas marcações invadam áreas de rios, estradas ou plantações que já constam no banco de dados.
Com a mudança, o agricultor pode apontar diretamente na plataforma uma série de problemas específicos que atingiram sua propriedade. Entre as opções que agora podem ser registradas de forma oficial estão incêndios, invasão de gado ou outros animais que pastam em locais proibidos, ataques de formigas cortadeiras e proliferação de plantas exóticas invasoras. O sistema também aceita justificativas relacionadas a tempestades e intempéries climáticas severas, além de contaminações causadas por resíduos ou desvios de agrotóxicos vindos de terrenos vizinhos.


A criação dessa ferramenta atende a uma demanda urgente que ganhou força após a crise de queimadas não intencionais que devastou diversas propriedades rurais paulistas em meados de 2024, deixando os agricultores preocupados com multas injustas em fiscalizações futuras. Segundo Everton Aparecido da Silva Ferreira, chefe da Divisão de Adequação Ambiental do estado, a nova função permite que o dono da terra delimite exatamente a área afetada pelo fogo e monte um plano de reflorestamento personalizado dentro das regras do Programa de Regularização Ambiental. Essa precisão evita mal-entendidos com fiscais, traz transparência, garante segurança jurídica para o trabalhador e fornece ao Estado dados valiosos para monitorar como a natureza se recupera desses impactos.









