

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou suas redes sociais para publicar um vídeo de forte oposição à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação ocorre no mesmo dia em que o atual advogado-geral da União enfrenta a sabatina no Senado Federal. No vídeo, o parlamentar resgata o episódio de 2016 que tornou Messias conhecido nacionalmente como “Bessias”, referindo-se ao áudio vazado em que a então presidente Dilma Rousseff mencionava o envio de um termo de posse para o agora presidente Lula.

Nikolas utilizou promessas de campanha feitas por Lula em 2022 para apontar uma suposta contradição do governo. Ele recordou um debate em que o petista afirmou não ser democrático que um presidente tivesse amigos na Suprema Corte. Segundo o deputado, a indicação de Messias, somada à anterior de Cristiano Zanin, transforma o tribunal em um espaço de influências políticas e amizades pessoais, o que comprometeria a imparcialidade necessária para guardar a Constituição brasileira.
Um dos pontos centrais da crítica do parlamentar foi a postura de Messias em relação a temas sensíveis, como o aborto. Nikolas destacou que, embora o indicado se declare evangélico e tenha afirmado a líderes religiosos ser contrário à prática, a Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu pareceres favoráveis a procedimentos como a assistolia fetal em gestações avançadas. O deputado explicou detalhadamente o procedimento para enfatizar sua discordância e acusar o indicado de ter uma postura ambígua entre sua fé pessoal e suas decisões jurídicas oficiais.
Além das questões ideológicas, o vídeo trouxe questionamentos sobre a transparência na gestão de Messias à frente da AGU. Nikolas denunciou que a divulgação de valores bilionários referentes a honorários advocatícios da instituição teria sido suspensa por oito meses, retornando apenas após pressão mediática. O parlamentar também citou ações da AGU relacionadas aos atos de 8 de janeiro e a criação de órgãos de combate à desinformação, que ele apelidou de “ministério da verdade”, para reforçar sua tese de que o perfil do indicado não é adequado para o cargo.
Ao final da gravação, Nikolas Ferreira dirigiu-se diretamente aos senadores, que possuem o poder de aprovar ou rejeitar o nome de Messias em votação secreta. O deputado sugeriu que os parlamentares que se opõem à indicação tornem seus votos públicos, como forma de prestar contas aos eleitores. Para ele, a “verdadeira indignação” do povo brasileiro não está nos processos políticos citados por Messias, mas nas dificuldades cotidianas com saúde, segurança e corrupção, concluindo que o indicado não possui a isenção necessária para julgar a população.







