segunda, 10 de agosto de 2026

Mulheres contam como foram enganadas por falsa adolescente

O Brasil acompanhou com espanto a prisão de Amanda Maria, uma mulher de 34 anos que fingia ser uma pré-adolescente de 12 anos em situação de extrema vulnerabilidade e com diagnóstico de autismo. O golpe, que foi aplicado em pelo menos seis estados diferentes, acabou após ela ser detida em Joinville, Santa Catarina. Para enganar famílias acolhedoras e instituições de caridade, Amanda utilizava uma história de vida trágica combinada a uma voz e comportamentos infantilizados, despertando a compaixão de quem cruzava o seu caminho.

Um dos relatos mais marcantes dessa farsa veio à tona nas redes sociais por meio da nutricionista Renata Magalhães e de Viviane Henriques, diretora de um projeto social no Rio de Janeiro. No ano de 2023, as duas amigas foram profundamente tocadas pela história da suposta menina e decidiram alugar e mobiliar um apartamento para abrigá-la. Viviane relembrou que, embora para quem olhasse de fora parecesse absurdo cair na mentira, a encenação de Amanda era impecável no dia a dia. Ela andava sempre de casaco com capuz, falava de um jeito muito infantil e justificava suas reações dizendo ter autismo, o que desarmava qualquer desconfiança inicial.

A farsa envolveu situações bizarras e assustadoras. Em um determinado momento, um exame de raio-X revelou que Amanda tinha mais de 200 agulhas espalhadas pelo próprio corpo. Para justificar a situação, ela inventou que os objetos haviam sido cravados por seu pai em rituais macabros. De acordo com o relato de Renata, algumas agulhas chegavam a sair pela boca da golpista, criando um cenário aterrorizante. No entanto, o relacionamento com a nutricionista começou a se desgastar quando Amanda passou a mostrar traços de manipulação e ciúmes, exigindo atenção exclusiva e ameaçando se machucar em crises teatrais. Renata desabafou que a golpista destruiu sua saúde mental e suas finanças, além de usar de pressão psicológica para afastá-la dos próprios filhos.

A farsa no Rio de Janeiro começou a desmoronar após a intervenção da polícia. Uma perícia no telefone celular de Amanda encontrou buscas na internet por termos como “como um autista se comporta” e “como fazer desenhos como se fosse uma vítima de abuso”. Para selar o fim da mentira, um exame de idade óssea comprovou que a suposta menina era, na verdade, uma mulher adulta. Na época, Amanda virou ré pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica, mas acabou respondendo em liberdade. Ela então se mudou para Santa Catarina e repetiu exatamente o mesmo roteiro, conseguindo enganar e morar com uma nova família por longos 14 meses.

A nova vida de mentiras em solo catarinense só chegou ao fim graças à desconfiança de uma tia dessa nova família acolhedora. Intrigada com o comportamento da “garota”, a parente decidiu fazer buscas na internet e encontrou as notícias sobre o caso idêntico que havia acontecido no Rio de Janeiro. A polícia foi acionada e Amanda foi presa em flagrante, tendo sua detenção convertida em prisão preventiva para evitar novos golpes pelo país.

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