terça, 7 de julho de 2026

Mulheres comandam quase 20% das propriedades rurais no Brasil, mas ainda enfrentam desigualdade salarial

As mulheres brasileiras estão à frente da produção agropecuária em cerca de duas a cada dez propriedades rurais no país, o que representa 19% do total de estabelecimentos. Essa liderança feminina se estende por uma área de 30 milhões de hectares, correspondendo a 8,5% de todo o território explorado na zona rural brasileira. De acordo com o estudo “Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro”, publicado pela Fundação IDH, a presença delas é mais forte em pequenas propriedades de até 20 hectares, com foco principal voltado para a agricultura familiar.

Apesar da importância do trabalho feminino no campo, a pesquisa revela que as mulheres ainda enfrentam forte desigualdade em comparação com os homens, seguindo uma tendência de desvalorização que também ocorre em outros setores da economia nacional. Os dados salariais mostram essa disparidade de forma clara: enquanto quase 30% dos homens que trabalham no setor rural recebem mais do que três salários mínimos, apenas 17,4% das mulheres alcançam essa mesma faixa de remuneração.

O levantamento detalhou o papel da mulher em seis importantes cadeias produtivas do agronegócio do país. A pecuária se destacou como o setor com a maior presença de liderança feminina, com mulheres comandando a produção em 33% das propriedades de gado. No setor do cacau, elas gerenciam 22% das fazendas, principalmente em terras familiares localizadas nos estados da Bahia e do Pará. Já na produção de frutas cítricas, como laranja e limão, as mulheres estão no comando de 18% dos estabelecimentos.

Por outro lado, os setores da soja, do café e da cana-de-açúcar registram os índices mais baixos de participação e liderança feminina. Na cultura da soja, que é a principal atividade do agronegócio nacional, as mulheres compõem apenas 17% da força de trabalho no início da produção, enfrentando graves barreiras culturais e até cobranças em casa para deixarem postos de comando. No café, a gestão feita por mulheres cai para 13,2%, embora as fazendas lideradas por elas contratem muito mais mão de obra feminina (43%) do que as propriedades chefiadas por homens (24%). A situação mais desigual ocorre na cadeia da cana-de-açúcar, onde as mulheres representam somente 8,8% dos trabalhadores e apenas 5,4% conseguem ocupar cargos de chefia.

Mesmo enfrentando tantas dificuldades para ganhar espaço, a Fundação IDH aponta que as mulheres que trabalham na zona rural se destacam como verdadeiras referências em inovação. O relatório ressalta que as gestoras costumam dar maior prioridade para ações de responsabilidade social e para a aplicação de técnicas modernas que ajudam a conservar o solo. A organização responsável pelo estudo, cujo nome original significa Iniciativa de Comércio Sustentável, tem sede na Holanda e desenvolve projetos focados no desenvolvimento rural sustentável em estados brasileiros como Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

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