segunda, 18 de maio de 2026

MP investiga uso irregular de parque como estacionamento no show do Guns N’ Roses em Rio Preto

O Ministério Público de São José do Rio Preto abriu um inquérito civil para apurar a exploração econômica irregular do parque Cidade das Crianças durante o show da banda Guns N’ Roses, ocorrido em 7 de abril. A investigação, oficializada nesta terça-feira (21) pelo promotor Carlos Romani, foca no uso do espaço público como estacionamento remunerado, onde motoristas pagavam R$ 100 para estacionar, com transferências realizadas diretamente para contas de pessoas físicas.

De acordo com o Ministério Público, a autorização para o uso do local teria sido concedida de forma direta pelo então secretário de Esportes, Kleber Fernando Trindade Mello, conhecido como Klebinho Kizumba, em favor de uma entidade filantrópica de Guaraci (SP), a Associação Guasonafe. O órgão aponta que não houve chamamento público ou edital que permitisse a outras entidades participar do processo, ferindo os princípios de transparência e igualdade. Além disso, há indícios de que a associação beneficiada estava inativa recentemente.

O caso ganhou repercussão após denúncias de que o pagamento pelo serviço, feito via PIX ou dinheiro, era destinado à conta pessoal de José Luís Pereira, que na época era secretário de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal. Imagens registradas no dia do evento mostram a esposa de Pereira realizando as cobranças e um assessor legislativo orientando os motoristas. Diante da gravidade das suspeitas, tanto Klebinho Kizumba quanto José Luís Pereira pediram exoneração de seus cargos, mas o Ministério Público ressalta que o desligamento não impede a responsabilização por possíveis irregularidades cometidas durante o exercício de suas funções.

Como próximos passos da investigação, o promotor determinou que os envolvidos prestem depoimento no dia 6 de maio. Entre os convocados estão os dois ex-secretários, um assessor parlamentar e a representante legal da entidade Guasonafe. Além dos depoimentos, foi solicitada a apresentação de extratos bancários para rastrear o fluxo financeiro gerado pelo estacionamento. O inquérito tem prazo de um ano para ser concluído e pode resultar em uma ação civil pública contra os responsáveis.

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