

O Ministério Público de São Paulo recebeu uma representação formal para apurar graves irregularidades no Canil Municipal de Guapiaçu. O documento, protocolado no início de janeiro pelo Delegado Bruno Lima, aponta um cenário de descaso, falta de higiene e maus-tratos que teria resultado na morte de nove cães recentemente, a maioria filhotes. A denúncia foi enviada à Promotoria de Justiça de São José do Rio Preto e solicita intervenção urgente para garantir a segurança dos animais que ainda permanecem na unidade.

Relatos de moradores e protetores de animais indicam que o local sofre com problemas estruturais antigos, como superlotação e falta de profissionais suficientes para o atendimento veterinário. Imagens que acompanham o caso mostram instalações deterioradas, com vidros quebrados, forros danificados e muita sujeira. Um dos episódios mais marcantes desse histórico de abandono envolve o cão Urutu, que ficou meses sem conseguir andar após uma briga no canil e só recebeu o tratamento adequado, incluindo uma amputação necessária, após ser resgatado por voluntários independentes.
A situação tornou-se ainda mais crítica com a suspeita de um surto de parvovirose, uma doença grave e altamente contagiosa. Segundo a representação, a localização do canil — próximo a um aterro sanitário e a áreas de esgoto — aliada à falta de áreas de isolamento para animais doentes, contribui para um ambiente insalubre. Protetores afirmam que a ausência de protocolos de quarentena expõe todos os cães a riscos constantes, transformando o espaço em um foco de doenças em vez de um abrigo seguro.
Em resposta às denúncias, a Prefeitura de Guapiaçu confirmou a morte dos filhotes e informou que os sintomas surgiram após o abandono de dois animais na porta do canil no final do ano passado. A administração municipal declarou que já iniciou medidas de higienização, isolamento dos cães sobreviventes e abriu um procedimento administrativo para investigar as falhas. No entanto, para a comunidade local, as ações são tardias, e agora cabe ao Ministério Público determinar as responsabilidades criminais e administrativas, além de exigir reformas estruturais que garantam o bem-estar animal na cidade.









