

O Ministério Público estadual decidiu arquivar o inquérito que investigava a transformação do parque Cidade das Crianças em um estacionamento pago durante o show da banda Guns N’ Roses, realizado em São José do Rio Preto. A apuração, liderada pelo promotor Carlos Romani, buscava esclarecer as condições em que o espaço público foi utilizado para abrigar veículos de fãs que compareceram à apresentação internacional.

A polêmica começou quando o público que utilizou o local relatou a cobrança de uma taxa de cem reais por vaga, aceita apenas em dinheiro vivo ou por meio de transferências eletrônicas via Pix. Uma apuração jornalística revelou que as transações financeiras eram direcionadas para a conta pessoal de José Luís Pereira, então secretário de finanças da Câmara Municipal, cuja esposa também foi flagrada trabalhando na arrecadação dos valores ao lado de um assessor parlamentar do vereador Bruno Marinho. Oficialmente, a operação do espaço havia sido concedida à Associação Guasomafe, uma organização filantrópica sediada na cidade vizinha de Guaraci.
Ao analisar o caso, o promotor Carlos Romani apontou que a prefeitura cometeu falhas administrativas graves, uma vez que o espaço foi liberado sem um processo de seleção pública entre as entidades interessadas, além de faltar uma justificativa técnica formalizada no papel. Apesar dessas falhas no procedimento, o Ministério Público optou pelo arquivamento por concluir que os envolvidos não agiram com a intenção deliberada de cometer uma fraude. Outro fator decisivo para o encerramento do caso foi o fato de que todo o dinheiro arrecadado com os motoristas acabou sendo devolvido aos cofres da prefeitura, descartando o desvio de recursos públicos ou o enriquecimento ilegal dos organizadores.
O episódio provocou uma rápida dança das cadeiras na política local logo após as denúncias virem à tona. O secretário de Esportes e Lazer, Klebinho Kizumba, acabou sendo demitido pelo prefeito Fábio Candido, que também assinou um decreto determinando que, a partir de agora, a arrecadação de estacionamentos públicos em grandes eventos será controlada exclusivamente pelo Fundo Social de Solidariedade. Na mesma época, o secretário de finanças do Legislativo pediu para ser desligado do cargo, enquanto o vereador Bruno Marinho defendeu seu assessor alegando que a atividade ocorreu fora do horário de expediente da Câmara.







