

O motorista de aplicativo Marcelo Fernandes, de 56 anos, viveu momentos de terror na madrugada do último sábado (1º) ao ser esfaqueado por adolescentes durante uma viagem entre Votuporanga e Floreal. O trabalhador, que recebeu mais de 12 golpes de faca, sobreviveu após conseguir fugir pelo acostamento de uma rodovia e pedir socorro a um caminhoneiro. O crime ocorreu em uma corrida agendada “por fora” das plataformas digitais, baseada na confiança de uma indicação feita por um colega de profissão.

A sequência de eventos começou na sexta-feira, quando um amigo motorista, impossibilitado de trabalhar por problemas mecânicos, repassou a Marcelo o contato de clientes que seriam frequentadores assíduos do serviço. O trajeto de ida para uma festa ocorreu sem qualquer sinal de perigo; os quatro jovens pagaram o valor combinado e mantiveram conversas amigáveis. Por causa da aparente normalidade, Marcelo aceitou buscá-los na manhã seguinte. Foi no caminho de volta, após uma parada estratégica na estrada para que um dos passageiros supostamente usasse o banheiro, que a violência começou de forma repentina.
Marcelo relatou que, ao retornarem para o veículo, um dos adolescentes mudou de posição e sentou-se logo atrás do banco do motorista, iniciando os ataques. Acreditando inicialmente que recebia socos, o motorista só percebeu a gravidade ao notar o sangramento intenso. Em um ato de reflexo, ele conseguiu retirar a chave do contato e correr pela rodovia. Para impedir que os agressores fugissem com seu carro, Marcelo jogou as chaves no matagal. Desesperado e perdendo a consciência, ele se colocou à frente de um caminhão frigorífico para forçar a parada e conseguir ajuda.
Socorrido por populares e encaminhado à Santa Casa, onde permaneceu internado por quatro dias, o motorista agora se recupera em casa. Ele explicou que, por confiar na indicação do colega, optou por não ligar a câmera de segurança interna do veículo naquela noite. Apesar do trauma e dos danos no interior de seu automóvel, Marcelo expressa profunda gratidão aos profissionais de saúde e ao homem que o auxiliou na estrada. O caso, que segue sob investigação, reforça o debate sobre a segurança dos motoristas que realizam viagens particulares baseadas apenas em recomendações informais.









