quarta, 10 de junho de 2026

Motorista de aplicativo é banido de plataforma após passageira gravar assédio em Araçatuba

A empresa de transportes por aplicativo 99 baniu permanentemente de sua plataforma um motorista de 68 anos investigado por importunação sexual contra uma passageira em Araçatuba, no interior de São Paulo. O caso veio à tona após a vítima gravar parte da corrida e registrar um boletim de ocorrência na polícia. Em nota, a empresa lamentou o episódio, reforçou que mantém uma política de tolerância zero contra qualquer tipo de assédio e informou que uma equipe especializada tenta contatar a mulher para oferecer acolhimento e suporte psicológico.

De acordo com o relato da passageira à polícia, ela acionou a corrida para buscar o filho na escola. Durante o trajeto, o motorista, identificado no registro policial como José, passou a fazer comentários ofensivos, insinuações de teor sexual e insistiu para que os dois fossem a um motel. Na gravação feita pela vítima, o homem elogia as pernas dela, diz que ela é “um desperdício” e oferece R$ 200 para que aceitasse um encontro íntimo, chegando a perguntar se ela trabalhava como garota de programa. Mesmo diante das sucessivas negativas e do visível desconforto da mulher, o condutor continuou com as investidas e, antes do desembarque, pediu para que ela esquecesse o que havia acontecido.

O investigado compareceu à delegacia acompanhado por seu advogado, prestou depoimento e foi liberado em seguida. Em sua defesa, o idoso alegou à polícia que o vídeo apresentado pela passageira foi cortado e afirmou que ambos haviam combinado previamente um encontro sexual pago. O advogado do motorista, Maycon Zulian Mazziero, declarou que o trecho gravado não reflete a totalidade dos fatos, mas ressaltou que detalhes da estratégia de defesa não serão divulgados no momento porque o caso corre em segredo de Justiça.

Apesar da versão do condutor, as imagens mostram a passageira recusando firmemente a oferta em dinheiro e negando ser garota de programa. A delegada Luciana Pistori Francino, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Araçatuba, afirmou que uma análise preliminar do vídeo já aponta indícios claros de assédio na conduta do motorista. A autoridade policial destacou ainda que, mesmo se ficasse provado que a vítima trabalhasse com o comércio do sexo, isso não anularia o crime de importunação sexual, já que a recusa dela foi explícita. O inquérito segue em fase inicial para apurar todas as circunstâncias, e novos depoimentos podem ser solicitados.

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