

A morte de Silvia Maria Domingues Francischini, de 57 anos, comoveu e gerou indignação em Araçatuba. Portadora de um tipo raro de Parkinson, ela faleceu no último domingo após passar três dias internada no Pronto-Socorro Municipal aguardando transferência para a Santa Casa local. O viúvo, Augusto Alves, acusa as equipes de saúde da unidade municipal de negligência e falhas na prestação de socorro, apontando que o quadro clínico da esposa se agravou drasticamente durante a espera.

A paciente deu entrada na unidade de pronto atendimento na quarta-feira com pneumonia e infecção urinária. De acordo com o marido, atrasos no diagnóstico e na realização de exames teriam comprometido o tratamento. Ele relata que a solicitação de transferência para um hospital com melhor infraestrutura demorou a se concretizar e que a piora do quadro de falta de ar e perda de respostas aos estímulos não recebeu a atenção devida. Diante da demora, a família recorreu à Justiça para obter uma liminar que garantisse o leito hospitalar.
Apesar da expedição da ordem judicial no domingo, a transferência só ocorreu quando o estado de Silvia já era considerado gravíssimo e irreversível pelos médicos do hospital, onde o óbito foi confirmado pouco tempo após a admissão. A família também suspeita que um pedido anterior de transferência tenha sido cancelado indevidamente no sistema de regulação enquanto a mulher aguardava atendimento no pronto-socorro.


Em resposta aos questionamentos, a Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba defendeu que a paciente recebeu assistência contínua de médicos e enfermeiros durante todo o período e informou que instaurou uma avaliação técnica interna para apurar os fluxos de atendimento. Já a Santa Casa de Araçatuba esclareceu que a demora decorreu exclusivamente de uma situação de superlotação que atingia toda a rede regional de saúde. O hospital alegou que as recusas iniciais de vaga foram justificadas pela falta de leitos e que a internação foi autorizada no domingo assim que uma vaga foi liberada pelo sistema oficial do Estado, independentemente da liminar judicial, mas infelizmente a paciente não resistiu.







