quarta, 15 de julho de 2026

Morte de menina de 11 anos alerta para a vulnerabilidade de crianças a picadas de escorpião

Casos recorrentes de envenenamento grave por escorpião chamam a atenção para o perigo que esses animais representam, especialmente para as crianças. Recentemente, a pequena Valentina Nobre Lima, de apenas 11 anos, morreu após ser picada ao calçar o sapato no Distrito Federal. Logo após o acidente, a família chegou a procurar o Corpo de Bombeiros, mas o soro antiescorpiônico só estava disponível em um hospital regional. De lá, a menina foi transferida para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu intubada e em coma induzido por 24 dias, vindo a falecer no último domingo, dia 5 de julho.

O Brasil abriga mais de 170 espécies de escorpião, e a gravidade do acidente depende do tipo de animal e do organismo da vítima. O escorpião-amarelo, amplamente distribuído por todo o país, é o maior responsável pelos casos mais graves. Segundo a pediatra Joelma Gonçalves Martin, especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as crianças sofrem muito mais com a picada por possuírem menos massa corporal do que um adulto. Ela explica que o animal injeta a mesma quantidade de veneno em qualquer pessoa, mas, como o organismo da criança é menor, a dose de toxina por quilo de peso acaba sendo muito mais concentrada e agressiva.

O veneno do escorpião atua diretamente no sistema nervoso e pode desencadear problemas graves no coração e nos pulmões, como ataque cardíaco, pressão alta e acúmulo de líquido no pulmão. Como os pequenos têm menor reserva fisiológica para aguentar essas alterações, os sintomas evoluem rapidamente para batimentos cardíacos desregulados, suor intenso, convulsão, agitação, sonolência, dor abdominal e falta de ar. Embora a marca da picada na pele seja quase invisível, a dor imediata e insuportável é o principal aviso de que houve o acidente.

Diante disso, a rapidez no atendimento médico é o fator mais importante para salvar vidas, principalmente de crianças, idosos e pessoas com a imunidade baixa. A especialista orienta que os pais saibam com antecedência quais hospitais da sua região são referências e possuem o soro armazenado, evitando perder tempo em postos de saúde que não têm o medicamento. Em caso de emergência, o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193) podem ser acionados para fazer o transporte rápido até o hospital correto. Enquanto o socorro é providenciado, os únicos cuidados recomendados são lavar o local com água e sabão, deixar o membro afetado elevado e, se necessário, dar um analgésico comum para aliviar a dor, sem que isso atrase a ida ao médico.

Como a prevenção é a melhor saída, cuidados diários dentro de casa devem ser redobrados. É fundamental orientar os filhos a chacoalharem sapatos e roupas antes de vestir e evitar que brinquem perto de buracos, entulhos de construção ou locais com acúmulo de lixo. O Ministério da Saúde recomenda ainda o uso de telas em ralos e pias, além de vedações nas portas. Afastar camas e berços das paredes e não deixar lençóis ou mosquiteiros encostarem no chão também impede que o animal suba nos móveis. Por fim, a médica alerta que os escorpiões conseguem se reproduzir sozinhos, o que significa que, ao encontrar um deles em casa, é muito provável que existam outros por perto, sendo necessário acionar a vigilância ambiental da cidade.

Notícias relacionadas