

Faleceu no domingo (29), em Porto Feliz, o delegado aposentado Moacir Rodrigues de Mendonça, de 72 anos. Ele havia sido condenado a 18 anos de prisão pelo estupro da própria neta, à época com 16 anos. O crime ocorreu em setembro de 2014, em um hotel na cidade de Olímpia.

Moacir morreu em decorrência de um câncer. Ele deixa três filhos e a esposa. O sepultamento ocorreu às 16h, no mesmo domingo, no Cemitério Municipal Velho de Porto Feliz.
Condenação e Detalhes do Caso
O delegado foi condenado pelo Tribunal de Justiça (TJ) em abril de 2017 e pôde recorrer da sentença em liberdade. A decisão do TJ foi unânime e reverteu uma sentença anterior, de maio de 2016, que havia absolvido Mendonça. O Ministério Público recorreu, contestando a decisão inicial do juiz.
Moacir era delegado assistente do 1º Distrito Policial de Itu e permaneceu preso por um ano e seis meses enquanto aguardava o julgamento do caso.
O crime ocorreu em setembro de 2014, em um hotel em Olímpia, durante um final de semana que Moacir e a neta, então com 62 anos, passavam no local a convite do avô.
A adolescente relatou que, já na primeira noite, foi forçada a ter relação sexual com o avô. “Ele me puxou pelo braço e me jogou na cama, eu fiquei muito assustada. Senti muito medo, porque nunca iria imaginar que ele ia fazer esse tipo de coisa”, afirmou a jovem.
Na segunda noite, o avô, segundo a jovem, tentou novamente, mas ela conseguiu se livrar dele. Após ser ameaçada pelo avô, a menina não relatou o crime aos pais de imediato. “No segundo dia ele tentou e eu o empurrei. Ele falou que queria se despedir de mim, porque no outro dia a gente ia embora. Fiquei entre a cama e a escrivaninha, encolhida. Ele comprou um celular para mim e falou que era para ficar entre eu e ele e que se eu falasse alguma coisa, ele ia falar que eu era louca”, contou.
A mãe da vítima confirmou que a filha somente revelou o ocorrido quando foi encontrada pela família trancada no quarto com uma arma, em uma aparente tentativa de suicídio. “Eu fiquei muito revoltada, me senti enganada. Eu tinha 38 anos, então fui enganada 38 anos porque uma pessoa não é assim de uma hora para outra, a pessoa quando tem esse costume, ela comete esse crime, não é a primeira vez que comete”, afirmou a mãe.
A denúncia da mãe foi feita à corregedoria da Polícia Civil. Em seus depoimentos, o delegado negou ter mantido relação sexual com a neta. No entanto, o juiz considerou Moacir culpado.
A repercussão do caso na época gerou grande comoção e debate sobre a proteção de vítimas de abuso e a responsabilidade de figuras de autoridade.









