terça, 14 de julho de 2026

Morre aos 95 anos o dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, criador de ‘Pantanal’ e ‘O Rei do Gado’

O cenário da teledramaturgia brasileira perdeu um de seus maiores nomes. O escritor e autor de novelas Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos na manhã desta terça-feira, dia 7 de julho. A informação do falecimento foi confirmada oficialmente pela assessoria de imprensa do Hospital do Coração (HCor), localizado em São Paulo, unidade onde o dramaturgo encontrava-se internado. De acordo com a nota divulgada pela instituição médica, a morte do idoso ocorreu em decorrência de complicações geradas por um quadro de insuficiência renal crônica. O hospital também aproveitou o comunicado para manifestar solidariedade aos familiares e amigos do autor neste momento de luto.

A notícia sobre a internação de Benedito Ruy Barbosa havia sido divulgada pelo HCor no dia anterior, segunda-feira, embora o hospital não tenha especificado a data exata em que ele deu entrada no local. O escritor lutava contra os problemas nos rins há três anos, uma condição de saúde delicada que vinha motivando uma rotina de hospitalizações frequentes nos últimos tempos. No início deste ano, em janeiro, ele já havia passado um período internado no mesmo hospital paulista para tratar uma infecção urinária. O autor foi casado durante 56 anos com a atriz Marilene Leonor Barbosa, falecida no ano de 2014, e deixa quatro filhos: Edmara, Edilene, Ruy e Marcelo.

Nascido em 17 de abril de 1931, Benedito Ruy Barbosa construiu uma das carreiras mais sólidas e respeitadas da televisão no país. Sua marca registrada era levar para as telas os conflitos e o universo do meio rural, ajudando a moldar um estilo único de fazer novelas no Brasil. A grande inspiração para suas histórias vinha das lembranças de sua infância vivida na cidade de Vera Cruz, no interior de São Paulo, onde cresceu cercado por cafezais e conviveu de perto com comunidades de imigrantes. Na juventude, após se mudar para a capital paulista e depois para Maringá, no Paraná, sua experiência nas plantações paranaenses deu origem ao seu primeiro livro, intitulado “Fogo Frio” e lançado em 1959, que logo depois foi adaptado com sucesso para o teatro.

Ao retornar para São Paulo, trabalhou como jornalista antes de escrever sua primeira novela em 1966, chamada “Somos Todos Irmãos”, exibida pela TV Tupi. Anos mais tarde, em 1971, produziu “Meu Pedacinho de Chão” na TV Cultura, em uma parceria com a TV Globo, emissora onde ingressaria de vez cinco anos depois para assinar os maiores sucessos de sua vida. Na nova casa, escreveu novelas inesquecíveis como “Cabocla” e “Sinhá Moça”, ambas com forte ligação com o interior do país. Outro tema muito presente em suas obras era a imigração italiana, pano de fundo para o estrondoso sucesso de “O Rei do Gado”, que narrava o amor proibido entre o fazendeiro Bruno Mezenga e a boia-fria Luana, e de “Terra Nostra”, que retratou o romance de dois imigrantes no fim do século 19.

Mais tarde, o autor teve a oportunidade de revisitar sua própria trajetória ao fazer novas versões de “Sinhá Moça” e de “Meu Pedacinho de Chão”, conseguindo nesta última colocar no ar o universo fantástico que havia planejado nos anos 70, mas que acabou barrado pela censura da ditadura militar da época. Com uma família muito ligada às artes, Benedito viu seu clássico “Pantanal”, originalmente de 1990, ganhar um aclamado remake no ano de 2022 escrito por seu neto, Bruno Luperi. A última novela inédita assinada pelo autor foi “Velho Chico”, exibida no ano de 2016, que se passou no sertão nordestino e manteve viva a sua tradicional essência de discutir as disputas de terra e a vida no campo.

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