terça, 23 de junho de 2026

Moraes nega pedido de Flávio Bolsonaro para investigar Lula por suposta ameaça

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou uma solicitação feita pelo senador Flávio Bolsonaro para que a Polícia Federal abrisse uma investigação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposta ameaça e incitação ao crime. Na mesma decisão, o magistrado também negou pedidos apresentados pela defesa do parlamentar que tentavam direcionar as ações em um outro processo, no qual o próprio senador é investigado por cometer calúnia contra o chefe do Executivo.

A tentativa de Flávio Bolsonaro de investigar Lula baseou-se em um discurso feito pelo presidente no início de junho, durante uma agenda oficial em Goiás. Na ocasião, Lula criticou publicamente as agendas que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro realizam com autoridades nos Estados Unidos. Em sua fala, o presidente mencionou a figura histórica de Joaquim Silvério dos Reis, o delator da Inconfidência Mineira, afirmando que ele foi enforcado por menos do que isso e questionou o que mereceriam os traidores da pátria que pedem intervenção estrangeira no Brasil. Os advogados do senador argumentaram que a declaração não foi apenas uma metáfora e que poderia incentivar a violência contra opositores políticos.

Apesar dos argumentos da defesa, Moraes não deu andamento ao pedido e barrou também as exigências do senador no inquérito que corre contra ele. Essa investigação apura se Flávio Bolsonaro cometeu o crime de calúnia ao fazer publicações na internet que associavam Lula ao governo da Venezuela e a crimes graves como tráfico internacional de armas e drogas, lavagem de dinheiro e apoio ao terrorismo. O parlamentar queria que a Polícia Federal realizasse diligências específicas do seu interesse, mas o ministro esclareceu que o investigado não tem o direito de interferir nos rumos e nos métodos das apurações policiais.

Moraes explicou em seu despacho que o verdadeiro objetivo de uma investigação criminal é reunir provas de forma isenta para que a acusação possa avaliar se há elementos suficientes para abrir um processo na Justiça. Com a decisão, a Polícia Federal ganhou um prazo de 60 dias para finalizar o inquérito sobre as postagens do senador. Nas próximas semanas, as equipes policiais devem concentrar os trabalhos na coleta de provas no ambiente virtual, na análise do impacto das publicações nas redes sociais e na marcação do depoimento oficial de Flávio Bolsonaro.

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