sexta, 17 de abril de 2026

Moraes marca interrogatório de Eduardo Bolsonaro para o dia 14 de abril

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou para o próximo dia 14 de abril o interrogatório do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A audiência será conduzida por meio de videoconferência, uma vez que o ex-parlamentar reside nos Estados Unidos há cerca de um ano e não retornou ao Brasil desde então. Eduardo é réu em um processo que investiga graves acusações, incluindo coação no curso do processo, obstrução de investigações sobre organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que Eduardo Bolsonaro teria articulado uma campanha em solo americano para pressionar o Judiciário brasileiro. Segundo o órgão, o ex-deputado teria atuado em parceria com o jornalista Paulo Figueiredo Filho para influenciar o julgamento que resultou na condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A acusação aponta que ambos utilizaram contatos políticos no governo de Donald Trump na tentativa de obter sanções dos Estados Unidos contra o Brasil, buscando constranger as decisões do STF.

Para os investigadores, essa estratégia trouxe prejuízos concretos ao país, com reflexos negativos na economia nacional. O texto da denúncia associa a atuação de Eduardo ao aumento de tarifas sobre produtos brasileiros registrado em julho do ano passado, classificando a conduta como um sacrifício dos interesses do Brasil em benefício de interesses particulares. Por outro lado, a defesa do ex-parlamentar nega qualquer irregularidade, argumentando que suas movimentações e declarações no exterior fazem parte do exercício legítimo da liberdade de expressão.

A situação jurídica de Eduardo Bolsonaro se soma a outros problemas recentes em sua trajetória pública. Em dezembro de 2025, ele teve seu mandato de deputado federal cassado pela Mesa Diretora da Câmara devido ao excesso de faltas acumuladas durante o período em que viveu fora do país. Além disso, o ex-parlamentar é alvo de um processo administrativo na Polícia Federal, que apura o abandono de seu cargo de escrivão na delegacia de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O interrogatório de abril é considerado um passo decisivo para o andamento da ação penal na Suprema Corte.

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