

Uma análise recente em trechos do Rio Tietê no noroeste paulista revelou um cenário preocupante para o meio ambiente e para quem depende das águas da região. O monitoramento mensal, realizado por voluntários do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica, identificou um aumento significativo de substâncias químicas como nitrato e fosfato. Esses compostos são indicadores claros de poluição e funcionam como um tipo de “alimento” para algas e plantas aquáticas, provocando uma reprodução acelerada que altera drasticamente a aparência e a saúde do ecossistema.

O resultado mais visível desse excesso de nutrientes é o fenômeno conhecido como “mancha verde”, que já deu ao rio uma coloração esverdeada em diversos pontos. Imagens aéreas registradas na região da usina hidrelétrica de Promissão mostram a superfície da água tomada por um verdadeiro “tapete verde”. De acordo com especialistas do Clube da Árvore, responsáveis pelas coletas em Araçatuba, essa poluição tem origem em diferentes fontes, incluindo o descarte de esgoto doméstico e industrial, resíduos da cana-de-açúcar (vinhaça) e o uso de fertilizantes em plantações próximas.
O impacto ambiental já se transformou em prejuízo econômico e social para moradores e pescadores locais. Relatos de quem vive em cidades como Clementina apontam que, desde que a água mudou de cor, a quantidade de peixes diminuiu drasticamente, dificultando o sustento de muitas famílias. Entre junho de 2025 e abril de 2026, foram feitas 13 análises laboratoriais, sendo que a coleta mais recente, realizada em abril, apresentou os piores índices de poluentes desde o início do acompanhamento.
Os dados coletados pelos voluntários servem como um diagnóstico ambiental detalhado e são enviados para a Fundação SOS Mata Atlântica, que os utiliza para elaborar relatórios públicos. Segundo os coordenadores do projeto, essas informações são ferramentas essenciais para que a sociedade civil possa cobrar das autoridades medidas urgentes de saneamento básico e políticas mais rígidas de preservação para evitar que a qualidade da água do Rio Tietê continue em declínio.







