sábado, 16 de maio de 2026

MP investiga cobrança de estacionamento em parque público durante show do Guns N’ Roses em Rio Preto

O Ministério Público deu um prazo de 20 dias para que a Prefeitura e a Câmara Municipal de São José do Rio Preto prestem esclarecimentos sobre o uso do Parque Cidade das Crianças como estacionamento particular. A investigação, conduzida pelo promotor Carlos Romani, apura possíveis irregularidades ocorridas na última terça-feira (7), data em que o Recinto de Exposições recebeu o show da banda Guns N’ Roses. A suspeita é de que servidores públicos tenham se beneficiado diretamente dos valores arrecadados, o que pode configurar conflito de interesses.

Durante o evento, motoristas relataram que era cobrada uma taxa de R$ 100 por veículo, aceita apenas em dinheiro ou transferência via PIX. No entanto, comprovantes de pagamento revelaram que os valores eram destinados à conta pessoal de José Luís Pereira, secretário de finanças e orçamento da Câmara Municipal. Além disso, registros em vídeo mostram que pessoas próximas ao secretário e assessores parlamentares estariam atuando na organização e na cobrança das vagas dentro do espaço público.

Em sua defesa, a Prefeitura de Rio Preto afirmou que a Secretaria de Esportes autorizou o uso do parque pela Associação Guadomafe, uma entidade filantrópica que seria responsável pela gestão do estacionamento e dos recursos. Contudo, o fato de a instituição ter sede na cidade de Guaraci e não em Rio Preto levantou questionamentos sobre os critérios de escolha. O Executivo declarou que o repasse dos valores é de inteira responsabilidade da entidade, mas não detalhou por que servidores e seus familiares estavam envolvidos na operação financeira.

O caso segue sob análise da promotoria, que busca entender como um espaço municipal foi cedido para uma operação privada com indícios de favorecimento pessoal. Enquanto aguarda as respostas oficiais do prefeito Fábio Candido e do presidente da Câmara, Luciano Julião, o Ministério Público avalia se houve dano ao patrimônio público ou desvio de finalidade na utilização do parque, que deveria servir ao lazer da comunidade e não à exploração comercial sem a devida transparência.

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