

O Ministério Público deu um passo decisivo nas investigações sobre o ataque cibernético que congelou os serviços públicos de São José do Rio Preto no ano passado. Três homens foram oficialmente denunciados à Justiça sob a acusação de envolvimento na invasão criminosa que derrubou os sistemas da prefeitura e da Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro). De acordo com a denúncia do órgão, o trio responderá pelos crimes de associação criminosa, invasão qualificada de dispositivo informático e inserção de dados falsos em sistemas de informação. Por envolver dados sigilosos e detalhes de segurança tecnológica, o processo corre em segredo de Justiça e aguarda direcionamento para uma Vara Criminal.

O crime, ocorrido em junho do ano passado, causou um verdadeiro apagão administrativo na cidade. Os computadores e servidores do município permaneceram completamente bloqueados por seis dias, período em que os criminosos exigiram um resgate de 500 mil reais em criptomoedas para liberar as senhas de acesso à rede. Durante o ataque de sequestro de dados, serviços essenciais para a população foram interrompidos, afetando desde os agendamentos na área da Saúde e a fiscalização do estacionamento rotativo da Zona Azul até os despachos internos de licitações públicas e os sistemas de apoio às operações de urgência do Samu.
As investigações ganharam força com a deflagração da Operação Caim pela Polícia Civil, que mirou suspeitos com conhecimentos profundos sobre a infraestrutura digital do município. Chamou a atenção dos investigadores o fato de que dois dos denunciados eram funcionários da própria Empro, sendo que um deles estava de licença não remunerada para gerenciar um negócio próprio. Na época da operação, os policiais cumpriram mandados de busca em condomínios de luxo da cidade, apreendendo celulares e computadores, incluindo uma máquina com vírus localizada na sede da empresa de tecnologia, material que passou por perícia para rastrear a origem da invasão.
Embora dois dos acusados tenham sido presos temporariamente em outubro de 2025, a Justiça posteriormente concedeu a eles o direito de responder ao processo em liberdade provisória. Para continuarem fora da prisão, os suspeitos precisam cumprir rigidamente uma série de medidas cautelares determinadas pelo juiz. Entre as regras impostas estão a proibição de deixar a cidade sem aval judicial, o dever de comparecer mensalmente ao Fórum para justificar suas atividades, a manutenção do endereço residencial atualizado e restrições severas de horários e locais de circulação pelas ruas do município.







