


O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou formalmente o açougueiro Marciel Dias dos Santos pela morte e pelo esquartejamento de Amanda da Silva, ocorrida no final de julho em São José do Rio Preto. O documento, assinado pelo promotor de Justiça Evandro Ornelas Leal e protocolado na quarta-feira (9), acusa o investigado pelos crimes de feminicídio — com qualificadoras de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e menosprezo à condição de mulher —, além de destruição e ocultação de cadáver. A Promotoria requereu que o réu seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e solicitou a conversão de sua prisão temporária em preventiva.

Segundo as investigações, o acusado atraiu a vítima, que se encontrava em situação de vulnerabilidade, para sua residência no dia 21 de julho. A perícia técnica realizada no imóvel identificou vestígios concentrados de sangue no dormitório, sobre a cama e na parede, além de uma coberta com perfurações, indicando que a mulher foi atacada a facadas enquanto estava deitada e coberta, sem possibilidade de reação. As análises contradizem a versão do suspeito, que alegou em depoimento que a vítima teria batido a cabeça e falecido após um empurrão durante uma discussão.
Após o homicídio, o réu manteve o cadáver no imóvel por cerca de cinco dias, período em que cortou o corpo em diversos segmentos e realizou o descarte dos restos mortais em sacos e mochilas espalhados por lixeiras, uma boca de lobo e galerias pluviais da cidade. Para encobrir os vestígios do crime, ele utilizou produtos químicos de limpeza, cortou trechos do colchão, pintou paredes e descartou pertences. A polícia chegou ao paradeiro dos restos mortais e identificou o suspeito após partes do corpo serem encontradas em lixeiras do Parque Estoril em 27 de julho.


Para fundamentar o pedido de prisão preventiva, o Ministério Público destacou a extrema gravidade dos atos e apontou risco de fuga, ressaltando que pesquisas de itinerários para fora do estado foram encontradas no celular do acusado pouco antes de sua prisão. Além da responsabilização criminal, a Promotoria solicitou que a Justiça fixe uma indenização mínima por danos morais à família da vítima no valor de 500 salários mínimos, acrescida de pensão mensal correspondente a um salário mínimo para cada um dos três filhos de Amanda até que completem 21 anos.







