

O Ministério Público de São Paulo decidiu arquivar a investigação que apurava denúncias de que a Prefeitura de São José do Rio Preto teria utilizado sua estrutura administrativa para criar uma rede de apoio digital. A suspeita era de que o governo municipal estivesse pressionando agentes públicos para defender o prefeito Fábio Cândido nas redes sociais. A decisão pelo encerramento do caso foi assinada pelo promotor Carlos Romani, que concluiu não haver provas suficientes que justificassem a continuidade do procedimento ou que demonstrassem prejuízo aos cofres públicos.

A polêmica começou após uma denúncia feita pela conselheira tutelar Janaína Albuquerque contra Sandra Reis, que na época ocupava o cargo de secretária municipal de Desenvolvimento Social. A acusação apontava que, no final do ano passado, teriam ocorrido tentativas de cooptação política e promessas de vantagens indevidas dentro da secretaria. O caso ganhou grande repercussão na cidade após o vazamento de áudios que sugeriam a articulação de uma espécie de “milícia digital” governista na internet. No entanto, o promotor destacou que as acusações ficaram apenas no campo das conversas e não se transformaram em ações administrativas reais ou ilegais por parte da prefeitura.
Durante o processo de apuração, o prefeito Fábio Cândido prestou esclarecimentos institucionais e negou categoricamente ter conhecimento ou ter dado aval para qualquer tipo de monitoramento ou pressão digital. Outro fator decisivo para o arquivamento foi a exoneração de Sandra Reis do cargo de secretária, o que, na visão da Promotoria, eliminou qualquer risco de que as condutas relatadas continuassem acontecendo. Em sua defesa, a ex-secretária explicou que nunca praticou assédio e que apenas comentou, de forma descompromissada, sobre a possibilidade de a conselheira ocupar um cargo de confiança no futuro.
O Ministério Público também chamou a atenção para o fato de a denúncia ter sido apresentada cerca de três meses após os supostos episódios, o que acabou enfraquecendo a busca por provas mais contundentes. O promotor reforçou que a decisão do órgão é estritamente técnica e foca na ausência de crimes contra a administração pública, deixando claro que o arquivamento não impede que os vereadores investiguem o caso politicamente na Câmara Municipal, por meio de comissões parlamentares. Apesar de a denunciante ainda poder recorrer da decisão nos próximos dez dias, Sandra Reis usou suas redes sociais para comemorar o resultado, afirmando estar com a alma lavada e criticando o que chamou de teatro e recortes sensacionalistas feitos com seus áudios.







