quarta, 17 de junho de 2026

Ministério orienta vacinados contra dengue a observarem sintomas após suspensão do imunizante do Butantan

O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após a identificação de 42 casos de reações graves em pessoas imunizadas. Entre os registros, três pacientes precisaram ser internados e duas mortes estão sendo investigadas para verificar uma possível relação com o imunizante.

Segundo a pasta, a interrupção da vacinação é uma medida preventiva e não significa que a vacina deixou de ser eficaz. O diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, afirmou que as pessoas já vacinadas continuam protegidas contra a doença.

De acordo com o Ministério da Saúde, quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias deve permanecer atento ao surgimento de sintomas semelhantes aos da dengue. Nesse período, chamado de viremia vacinal, ainda há circulação da versão enfraquecida do vírus utilizada pelo imunizante para estimular a produção de anticorpos.

Entre os sinais que exigem atenção estão febre, dores no corpo, manchas na pele, sangramentos e episódios de vômito. Caso qualquer um desses sintomas apareça, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.

Já as pessoas que receberam a vacina há mais de 21 dias e não apresentaram problemas não precisam buscar atendimento médico. Segundo o Ministério, esse grupo está fora da área de risco relacionada aos eventos investigados e continua protegido contra a dengue.

Dados do Programa Nacional de Imunizações apontam que a vacina do Butantan é capaz de reduzir em cerca de 65% os casos da doença e em mais de 80% as formas graves e as hospitalizações.

Até 30 de maio, mais de 501 mil pessoas haviam sido imunizadas com a vacina, incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. Na fase inicial da campanha, a aplicação ocorreu em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), com foco em pessoas entre 15 e 59 anos. Em março, a vacinação também foi ampliada para a região de Araguaína (TO), e os profissionais da atenção primária à saúde passaram a receber o imunizante em fevereiro.

Antes de ser disponibilizada no SUS, a vacina passou pelos testes exigidos pelas autoridades regulatórias. Mais de 11 mil voluntários participaram dos estudos clínicos e foram acompanhados por até cinco anos. Após a conclusão das pesquisas, o imunizante recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no país.

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