quarta, 8 de julho de 2026

Milhares de pessoas protestam na Avenida Paulista contra a escala 6×1 de trabalho

A Avenida Paulista, no coração de São Paulo, foi palco de uma grande manifestação na noite desta terça-feira (30), reunindo milhares de trabalhadores, estudantes e movimentos sociais pelo fim da jornada de trabalho no modelo 6×1. O protesto, que seguiu em caminhada até a Praça Roosevelt, cobrou agilidade do Senado Federal para votar a proposta que propõe o término desse modelo de escala, que prevê seis dias de trabalho para apenas um de descanso. Durante o trajeto, os manifestantes concentraram duras críticas à postura dos parlamentares e, principalmente, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, acusado de falta de empenho para pautar o tema.

O cansaço físico e mental provocado pela rotina pesada foi o principal desabafo de quem esteve presente no ato. Trabalhadores relataram o esgotamento de passar a vida inteira em uma escala que não deixa tempo livre sequer para aproveitar o próprio salário, restando apenas o único dia de folga para tentar recuperar as energias. Muitos lamentaram a falta de momentos com os filhos e cônjuges em razão de estarem trabalhando em praticamente todos os finais de semana. Houve espaço também para questionamentos contra aqueles que defendem a manutenção da jornada atual mesmo trabalhando em cargos de maior conforto.

Embora o protesto tenha seguido a linha de manifestações anteriores lideradas por frentes de esquerda, o evento desta terça-feira registrou um público visivelmente maior. A grande novidade foi o forte engajamento de movimentos de moradia, o que levou uma quantidade significativa de famílias inteiras, com idosos e crianças, para a rua. Além do debate central sobre a jornada de trabalho, os discursos e cartazes espalhados pela avenida também deram voz a outras causas sociais urgentes, como o combate ao feminicídio, o direito à moradia digna e a defesa da liberdade de expressão.

A segurança e o andamento da marcha foram monitorados de perto, mas o evento ocorreu sem a presença de negociadores civis independentes. Esse tipo de mediação passou a ser uma exigência recente após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, que estabelece regras estritas para a atuação policial em protestos no estado de São Paulo. O governo estadual ainda está dentro do prazo legal de pouco menos de dois meses para concluir a elaboração do protocolo oficial que regulamentará essas novas medidas de acompanhamento.

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