

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, protagonizou um momento de “vidente” político nesta quarta-feira (29), ao antecipar com precisão matemática a rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Segundos antes de o painel eletrônico exibir o resultado oficial, Alcolumbre foi flagrado pelos microfones da TV Senado cochichando para o líder do governo, Jaques Wagner: “Acho que ele vai perder por oito”. A previsão se confirmou instantes depois, com o placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis, selando uma derrota histórica para o Palácio do Planalto.

A assessoria de Alcolumbre tratou o episódio com naturalidade, afirmando que o senador apenas deu uma opinião baseada nas conversas que já circulavam nos corredores do Congresso. Segundo a nota oficial, o palpite certeiro demonstra a experiência do presidente da Casa em entender o termômetro das votações. No entanto, nos bastidores, o comentário reforça o papel que Alcolumbre desempenhou na articulação para barrar o nome de Messias, evidenciando sua influência sobre os votos dos colegas.
A rejeição de Jorge Messias quebra um jejum de 132 anos, sendo a primeira vez desde 1894 que o Senado nega uma indicação presidencial para a Suprema Corte. O advogado-geral da União precisava de pelo menos 41 votos para ser aprovado, mas acabou derrotado justamente pela diferença de oito votos prevista por Alcolumbre. Após o anúncio, Messias desabafou com jornalistas, afirmando que foi alvo de uma campanha de mentiras e ataques à sua imagem nos últimos meses, sugerindo que houve uma perseguição política planejada para retirá-lo da disputa.
O clima tenso entre o Executivo e o Legislativo já vinha se desenhando há meses. O presidente Lula e Davi Alcolumbre entraram em rota de colisão porque o senador preferia que o atual presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, fosse o indicado para o cargo. A escolha de Lula por Messias ignorou os apelos de Alcolumbre, o que resultou em uma queda de braço que terminou com o arquivamento do nome do indicado e a necessidade de o governo buscar uma nova alternativa que agrade à maioria dos senadores.







