quinta, 14 de maio de 2026

Mensagens revelam pagamentos de até R$ 500 mil e luxos bancados por empresário a Ciro Nogueira

Novas revelações da Polícia Federal (PF) detalham como funcionava o suposto esquema de propina envolvendo o senador Ciro Nogueira e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. De acordo com as investigações da Operação Compliance Zero, diálogos entre o banqueiro e seu primo, Felipe Cançado Vorcaro, mostram que o parlamentar recebia uma “mesada” que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. As mensagens sugerem que os repasses eram feitos em troca de favores políticos no Congresso Nacional, utilizando empresas de fachada para mascarar o caminho do dinheiro.

A investigação aponta que uma empresa sediada em Minas Gerais era a principal fonte dos recursos. Em uma das conversas interceptadas, Felipe Vorcaro chega a questionar o primo se deveria manter o pagamento de R$ 500 mil ou se poderia reduzir o valor, evidenciando a regularidade dos repasses. Além do dinheiro em espécie, a PF sustenta que o senador usufruía de uma vida de alto padrão bancada pelo empresário, o que incluía o uso gratuito de um imóvel luxuoso, cartões para despesas pessoais e viagens internacionais com estadias em hotéis caros de Nova York, além de jantares em restaurantes sofisticados.

A operação, realizada nesta quinta-feira, resultou em buscas nos endereços do senador e na prisão temporária de Felipe Vorcaro. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, também determinou o bloqueio de quase R$ 19 milhões em bens dos envolvidos. O irmão do senador, Raimundo Neto, também é citado como administrador de uma das empresas que facilitava a movimentação financeira do grupo, sendo igualmente alvo das diligências policiais.

Em nota oficial, a defesa de Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade e afirmou que o senador repudia as suspeitas sobre sua atuação no parlamento. Os advogados criticaram a operação, classificando-a como “invasiva” por se basear em trocas de mensagens entre terceiros, e afirmaram que o senador está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. Segundo a defesa, as medidas tomadas pela PF são precipitadas e deverão ser revistas pelas instâncias superiores do Judiciário.

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