quarta, 27 de maio de 2026

Mendonça reforça que delação de dono do Banco Master deve ser “séria e efetiva”

O gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota oficial na noite desta quinta-feira para esclarecer sua posição sobre o caso envolvendo o Banco Master. Relator do processo na Corte, Mendonça ressaltou que, embora a delação premiada seja um direito de defesa garantido a qualquer investigado, o acordo só terá validade jurídica se apresentar informações consistentes e úteis para a Justiça. O magistrado destacou que ainda não teve acesso ao conteúdo da proposta entregue pela defesa de Daniel Vorcaro, dono do banco, à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

A movimentação ocorre em um momento de alta tensão em Brasília, já que as investigações da Operação Compliance Zero sugerem que Vorcaro construiu uma extensa rede de influências que alcança autoridades dos Três Poderes. O banqueiro é o principal alvo de um inquérito que apura um rombo estimado em mais de R$ 50 bilhões, considerado uma das maiores fraudes financeiras da história do país. O esquema envolveria a emissão de títulos falsos e desvios sistemáticos de recursos, o que resultou no fechamento do Banco Master pelo Banco Central e na prisão do empresário.

Agora, caberá aos investigadores da Polícia Federal e aos membros da PGR analisar se os relatos oferecidos por Vorcaro trazem fatos novos ou se apenas repetem o que já foi descoberto em apreensões anteriores, como as informações extraídas do celular do próprio empresário. Se a proposta for considerada relevante e inédita, as partes iniciarão a negociação sobre a redução de pena e a devolução de valores desviados. Enquanto esse processo de análise acontece, o gabinete de André Mendonça reafirmou que as investigações seguem o curso normal, independentemente de haver ou não uma colaboração oficial no futuro.

Notícias relacionadas