

Durante o lançamento oficial do Plano Safra voltado para a agricultura familiar, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância estratégica da produção do campo para a independência do Brasil. Ao anunciar um pacote de investimentos que soma R$ 97,3 bilhões — destinados a linhas de crédito, seguro para lavouras, compras públicas e assistência técnica —, o presidente defendeu que a verdadeira soberania de uma nação começa pela garantia de comida diversificada e de qualidade na mesa de sua população, destacando que o país só deve importar os gêneros alimentícios que for totalmente incapaz de produzir.

Para ilustrar seu ponto de vista sobre as prioridades governamentais, Lula relembrou uma conversa marcante com o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez. Na ocasião, enquanto o líder estrangeiro exibia aviões de caça recém-adquiridos, o presidente brasileiro rebateu afirmando que a melhor arma que um país poderia possuir era, na verdade, o alimento, citando as históricas dificuldades que a Venezuela enfrentava para produzir itens básicos do dia a dia, como leite e ovos. Em seu discurso, ele também incentivou os pequenos produtores a utilizarem os novos financiamentos disponíveis e reforçou que o governo continua pressionando os bancos públicos para reduzir ainda mais as taxas de juros, pois o dinheiro investido na agricultura familiar circula rapidamente e gera crescimento econômico imediato.
O presidente também aproveitou o evento para comentar sobre a grande quantidade de terras sob o controle da União, afirmando que não há justificativa para manter tantas áreas ociosas e mencionando, inclusive, os terrenos em posse das Forças Armadas. De acordo com o chefe do Executivo, o Brasil é uma nação pacífica que não caminha para a guerra, o que permite o redirecionamento de propriedades para fins produtivos. A visão de valorização do setor foi endossada pela presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Vânia Marques, que celebrou o reconhecimento do protagonismo dos camponeses e ressaltou que as novas políticas de incentivo dão autonomia financeira para as mulheres rurais, ajudando a quebrar o ciclo de violência doméstica no campo. A líder sindical também defendeu que a agricultura familiar é parte central da solução para a crise climática global através de práticas responsáveis de preservação do solo e das águas.


No encerramento da solenidade, o presidente Lula prestou solidariedade à Venezuela devido à tragédia provocada pelos fortes terremotos que atingiram o país vizinho na última semana. Lamentando as quase duas mil mortes confirmadas e os milhares de feridos e desabrigados deixados pelos tremores que destruíram dezenas de milhares de imóveis, o mandatário assegurou que o Brasil fará tudo o que estiver ao seu alcance para enviar ajuda humanitária e apoiar o povo venezuelano, conduzindo o evento a um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.








