quinta, 9 de julho de 2026

Medo da internet faz cair o uso de celulares entre crianças, enquanto idosos avançam na rede

A preocupação com a privacidade e a segurança digital se tornou o fator decisivo para os pais evitarem que crianças e adolescentes ganhem o primeiro telefone celular. É o que aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pela primeira vez desde o início da série histórica, a quantidade de pré-adolescentes de 10 a 13 anos que possuem o aparelho registrou uma queda, atingindo o patamar de pouco mais de metade desse grupo. O recuo contrasta com todas as outras faixas etárias da população, que continuam comprando e usando mais dispositivos.

De acordo com os analistas do instituto, a explicação para essa mudança está na cautela dos responsáveis. Há alguns anos, o preço alto do aparelho e a falta de necessidade eram as justificativas mais comuns para adiar a compra de um celular. Hoje, o cenário mudou drasticamente: o receio com a exposição excessiva em redes sociais e as ameaças virtuais quase dobraram de importância na decisão dos pais. Além do medo da vulnerabilidade na internet, especialistas associam essa redução à onda de restrições de celulares dentro de salas de aula pelo país. Como reflexo direto dessa vigilância, o próprio acesso geral à internet por esse grupo de crianças apresentou uma leve retração.

Caminhando no sentido oposto, os idosos brasileiros estão cada vez mais tecnológicos. O levantamento mostra que cerca de três em cada quatro pessoas com mais de 60 anos já utilizam a internet no dia a dia, indicando uma evolução expressiva em relação aos anos anteriores. A quantidade de idosos que têm o próprio celular também cresceu. Ao contrário dos mais novos, o que ainda afasta a terceira idade do ambiente virtual não é o medo da exposição, mas sim a dificuldade técnica de aprender a mexer nos aplicativos.

Por fim, o IBGE destaca que está se tornando quase impossível viver longe das redes, já que as ferramentas digitais foram de vez integradas à rotina básica do brasileiro. O uso de aplicativos de bancos e o acesso a serviços públicos pela internet deram saltos significativos nos últimos tempos. Além disso, pela primeira vez na história, mais da metade dos brasileiros conectados admitiu fazer compras online frequentemente. No topo das atividades mais comuns no país continuam as chamadas de voz e vídeo por aplicativos de mensagens, seguidas pelo envio de textos, fotos e o consumo de vídeos, novelas e séries em plataformas digitais.

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