quinta, 28 de maio de 2026

Marcola, preso há 27 anos, foi alvo de novo mandado

O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram, na manhã desta quinta-feira, a Operação Vérnix, que tem como objetivo desmantelar um braço financeiro voltado à lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Entre os principais alvos da ação está Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado pelas autoridades como o líder máximo da organização. Contra ele foi expedido um novo mandado de prisão, embora o criminoso já cumpra pena de forma ininterrupta desde julho de 1999. A ofensiva também mirou familiares de Marcola, incluindo seu irmão e dois sobrinhos, além da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, que foi presa em sua casa na cidade de Barueri, na Grande São Paulo, logo após desembarcar de uma viagem à Itália.

A nova ordem de prisão contra Marcola reforça o forte esquema de segurança montado em torno de sua custódia, considerada pelas autoridades de segurança pública como de altíssimo risco devido ao seu histórico de três fugas antes de sua última detenção definitiva, há 27 anos. Desde o fim dos anos 90, ele passou por 19 penitenciárias paulistas até ser transferido para o sistema federal em 2019. Quatro anos depois, o Ministério Público descobriu um plano elaborado pela facção para tentar resgatá-lo de uma unidade em Rondônia, o que provocou sua transferência imediata e decisões judiciais consecutivas para mantê-lo sob o regime mais rigoroso do país.

Nascido em Osasco, Marcola começou a praticar pequenos furtos no centro de São Paulo ainda na infância, época em que ganhou o apelido de “Playboy” pelo gosto por roupas caras e calçados importados. Foi nesse período que ele conheceu um dos fundadores do PCC, responsável por introduzi-lo na facção. Em 2002, ele assumiu o comando do grupo após uma violenta disputa interna pelo poder. Apesar de acumular condenações que somam mais de 300 anos de prisão por crimes graves como tráfico de drogas, associação criminosa e homicídio, ele nega formalmente em seus depoimentos à Justiça exercer qualquer papel de liderança na facção.

Paralelamente às novas investigações, o Judiciário paulista encerrou recentemente uma antiga ação penal de grande porte contra 161 suspeitos de ligação com o PCC. O processo, que havia sido aberto em 2013, acabou prescrevendo após ficar praticamente paralisado por 12 anos. O juiz Gabriel Medeiros, da 1ª Vara de Presidente Venceslau, reconheceu que o prazo legal do Estado para aplicar as punições expirou em setembro de 2025, extinguindo a ação no início de dezembro daquele ano. Embora Marcola fizesse parte desta denúncia específica, o arquivamento do caso não altera em nada o tempo que ele continuará atrás das grades pelas suas condenações anteriores. Até o momento, as equipes de defesa dos envolvidos nesta nova operação não foram encontradas para comentar o caso.

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