


Pesquisadores paulistas e gaúchos constataram que uma ferramenta de mapeamento genético pode indicar quais crianças e jovens possuem maior propensão a desenvolver quadros graves de depressão. A descoberta, fruto de uma investigação do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), analisou mais de 2 mil voluntários em São Paulo e Porto Alegre, acompanhados desde a infância até o início da vida adulta. O estudo comprovou que os indivíduos com maior pontuação no chamado risco poligênico sofrem uma piora mais rápida dos sintomas ao longo dos anos.

A pesquisa revelou ainda que, entre os jovens já diagnosticados com transtorno depressivo maior, aqueles com escore genético elevado apresentam maior suscetibilidade a episódios de autolesão não suicida, como cortes e pancadas no próprio corpo. Um dos grandes avanços do trabalho, publicado na revista científica Biological Psychiatry, foi demonstrar a eficiência da ferramenta em populações miscigenadas como a brasileira. Até então, a maioria dos estudos sobre genética psiquiátrica concentrava-se em indivíduos de ancestralidade europeia, o que limitava a aplicação prática dos resultados no contexto latino-americano.
A investigação utilizou dados da Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais, acompanhando 2.163 participantes com idades entre 6 e 23 anos. Cientistas da Unifesp e da USP destacam que, embora os fatores ambientais e sociais continuem desempenhando papel determinante na saúde mental, a identificação do perfil genético abre caminho para intervenções psiquiátricas precoces e tratamentos personalizados, capazes de prevenir o agravamento do quadro antes que a doença traga prejuízos permanentes ao desenvolvimento do jovem.











