sexta, 9 de outubro de 2026

Mais de 1,5 milhão de crianças morre por ano sem esgoto e água tratada

De Brasília, O Brasil precisa enfrentar as desigualdades de acesso à água potável e ao saneamento básico. A conclusão está no relatório global do Fundo das Nações Unidas para a…

De Brasília,
O Brasil precisa enfrentar as desigualdades de acesso à água potável e ao saneamento básico. A conclusão está no relatório global do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, divulgado nesta quinta-feira. O Brasil é apontado no documento como um dos países que ainda pode alcançar as metas internacionais de desenvolvimento na área, o que significa reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso à água e ao esgoto. Porém, para isso, o Unicef destaca que é primordial vencer as disparidades de acesso entre a população urbana e a rural. O relatório mostra que noventa e seis por cento da população urbana no país têm acesso à água potável. No campo, o índice cai para 57 por cento. Já em relação ao saneamento básico, os dados são ainda mais desiguais: enquanto 83 por cento das pessoas têm acesso aos serviços nas cidades, na zona rural, a cobertura é de, apenas, 37 por cento. O secretário Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Abelardo Filho, considera a ampliação da rede de esgoto um desafio para o governo. O grande desafio é ampliar o atendimento nas zonas rurais. Principalmente, nas habitações individuais, que é difícil a rede urbana chegar até lá, disse.

Segundo o secretário, o financiamento governamental destinado à melhoria destes serviços aumenta a cada ano. Entretanto, ele afirma que ainda é preciso melhorar a gestão dos recursos nos estados e municípios. O relatório do Unicef ainda mostra que as desigualdades por região, raça e escolaridade da mãe também são fatores refletidos na distribuição dos serviços básicos no país. De acordo com o Unicef, os jovens brasileiros da raça negra têm menos acesso a uma água de qualidade. O coordenador do Unicef em Recife, Fábio Moraes, destaca que a garantia dos serviços é um direito de todos os cidadãos. Significa melhoria da qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o planeta. Significa que menos pessoas vão morrer e mais pessoas vão ter garantidas as condições mínimas necessárias para o desenvolvimento saudável, acrescenta.

O Unicef destacou que mais de um milhão e meio de crianças com menos de cinco anos de idade morrem por ano, no mundo, vítimas de diarréia provocada pela falta de acesso à água potável e ao saneamento básico.

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