terça, 21 de julho de 2026

Mãe paga exame particular após esperar 48 horas por vaga de tomografia via SUS em Araçatuba

A superlotação na Santa Casa de Araçatuba, no interior de São Paulo, fez com que a mãe de um menino de dois anos recorresse a uma clínica particular para conseguir realizar uma tomografia. O caso aconteceu após a família passar quase 48 horas aguardando uma vaga pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital é a principal referência de atendimento para cerca de um milhão de habitantes espalhados por 40 municípios da região, mas vem operando constantemente acima de sua capacidade máxima de ocupação. As duas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Pediátricas da instituição, por exemplo, contam com espaço para atender apenas dez pacientes por vez.

O drama da família começou na noite de sábado (11), quando a criança sofreu uma queda em casa, bateu a cabeça e começou a vomitar. Assustada com o sangramento na boca do filho, Kathleen Raiane Vieira levou o menino às pressas para o pronto-socorro. No local, a médica que fez o primeiro atendimento constatou a necessidade urgente de realizar uma tomografia e solicitou a transferência do paciente para a Santa Casa. No entanto, os funcionários informaram que o hospital estava superlotado e que a família precisaria aguardar de dois a três dias pela liberação de um leito para a realização do exame.

Kathleen permaneceu na unidade de saúde durante toda a madrugada e o domingo (12), sem receber previsão de transferência. Diante da preocupação com o estado do filho, que permanecia com um dos olhos bastante inchado, a mãe decidiu não esperar mais pelo sistema público e pagou pelo procedimento em uma clínica particular na segunda-feira (13). Felizmente, o resultado do exame não apontou nenhuma alteração ou lesão grave na cabeça da criança, que já se recupera bem em casa.

Procurada para esclarecer a situação, a direção da Santa Casa de Araçatuba informou que o fluxo de transferência de pacientes é controlado pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), do governo estadual. O hospital explicou que, embora faça esforços para atender além do limite em cenários críticos, fica totalmente impossibilitado de aceitar novos pacientes quando não há nenhum leito físico disponível. Por outro lado, o Departamento Regional de Saúde de Araçatuba declarou que acompanha de perto a alta demanda na região e afirmou que a criação de 20 novos leitos de UTI Pediátrica está na fase final de negociação para tentar reduzir a sobrecarga no atendimento infantil.

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