

A angústia e a esperança caminham juntas para os familiares do jovem Dheorge Pereira Bernardino, de 28 anos, que desapareceu no último domingo, dia 24 de maio, após sair para um passeio de moto aquática em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. Neste sábado, dia 30 de maio, o Corpo de Bombeiros deu início ao sexto dia consecutivo de buscas na região litorânea. Embora os protocolos oficiais costumem prever o encerramento das operações de resgate após esse período, os bombeiros garantiram que os trabalhos no mar continuarão por tempo indeterminado, sem uma data limite para acabar.

A mãe do rapaz, Maria de Fátima Pereira Bernardino, relatou que toda a comunidade local está profundamente abalada e unida em orações. Ela expressou que a família nutre a firme convicção de que o filho está vivo, possivelmente abrigado ou perdido em alguma área isolada da região. Em um apelo emocionado, a mãe pediu para que os amigos que acompanhavam Dheorge na viagem e a jovem Bruna — que também havia sumido no passeio, mas foi resgatada viva após passar 42 horas à deriva no mar — repensem os momentos que antecederam o sumiço e repassem qualquer detalhe ou lembrança nova para ajudar os investigadores nas buscas, já que as pistas atuais ainda são consideradas muito vagas.
Um fator que eleva significativamente a preocupação da família é a saúde do jovem. Maria de Fátima revelou que Dheorge convive com a epilepsia, faz tratamento neurológico e necessita tomar medicamentos de uso contínuo todos os dias. Pelo fato de ele estar sem o remédio desde o domingo do desaparecimento, a mãe teme que o filho possa ter sofrido uma crise de convulsão, seja no momento em que estava na água ou após ter conseguido alcançar a terra firme. A distância também tem sido um obstáculo doloroso para os parentes: a família reside no município de Alcântaras, no Ceará, e não possui recursos financeiros para viajar até o litoral paulista para acompanhar os trabalhos das equipes de resgate de perto.
O último contato de Dheorge com a mãe ocorreu na tarde de sábado, dia 23 de maio, na véspera de ele sumir no mar. Durante a ligação, o jovem explicou que passaria o domingo em um passeio com os amigos e que planejava retornar para São José do Rio Preto — cidade onde mora e trabalha há dez anos — logo no início da semana. Descrito pela mãe como um filho extremamente generoso, humilde e muito apegado à família, Dheorge havia visitado seus parentes no Ceará recentemente para celebrar o Dia das Mães. As buscas aéreas e marítimas seguem concentradas na região onde a moto aquática utilizada por ele foi localizada à deriva em alto-mar.







