sexta, 12 de junho de 2026

Lula promete vetar disparo em massa de mensagens eleitorais e critica o fundo partidário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que pretende vetar o trecho de um projeto de lei, recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados, que autoriza o disparo em massa de mensagens automáticas durante campanhas eleitorais. Antes de recorrer ao veto presidencial, o chefe do Executivo afirmou que o governo vai articular politicamente nos bastidores para tentar derrubar a proposta durante a sua tramitação no Senado. A medida controversa integra o pacote da minirreforma eleitoral, que propõe liberar o envio de conteúdos em larga escala para eleitores que já possuem cadastro prévio, além de flexibilizar as regras para a prestação de contas dos partidos políticos.

Durante uma entrevista concedida à TV Brasil, Lula demonstrou forte preocupação com o impacto da tecnologia e da inteligência artificial nos próximos pleitos. O presidente defendeu que, embora as ferramentas digitais modernas apresentem utilidade para diversos setores da sociedade, elas não deveriam interferir nas escolhas de prefeitos, governadores ou deputados. Ele criticou o posicionamento das bancadas da Câmara ao aprovarem um texto que, segundo sua visão, vai incentivar o uso prejudicial de robôs no ambiente político, reafirmando que o veto será o caminho adotado caso a matéria passe pelos senadores.

Na mesma conversa, o mandatário também revelou uma mudança drástica em seu posicionamento pessoal a respeito do financiamento público de campanhas. Lula admitiu que, no passado, era um defensor do fundo partidário e do fundo eleitoral — que para este ano de 2026 conta com um orçamento aprovado pelos parlamentares de R$ 4,9 bilhões —, mas que hoje se posiciona de forma totalmente contrária à existência desse mecanismo. De acordo com o petista, o atual modelo acabou gerando distorções éticas e promiscuidade na política nacional, citando como exemplo o volume excessivo de emendas parlamentares, que atualmente permite que um único deputado controle de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões em recursos por ano.

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