sábado, 8 de agosto de 2026

Lula pede que Trump respeite o Brasil e não interfira nas eleições do país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (17), defendendo a soberania nacional. Durante uma coletiva de imprensa no encerramento da Cúpula do G7, realizada em Évian, na França, Lula afirmou que o líder americano tem todo o direito de manter suas preferências políticas e ideológicas, mas exigiu que ele não se intrometa nos assuntos eleitorais e nas decisões internas do Brasil.

A declaração de Lula foi uma resposta a comentários feitos por Trump no mesmo evento. Mais cedo, o presidente americano havia classificado o Brasil como um lugar politicamente perigoso e criticou a recente condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trump chegou a sugerir que as autoridades brasileiras estariam tramando a prisão do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que o jogo político no país é pesado.

Ao rebater a fala, Lula ironizou a proximidade de Trump com a família do ex-presidente, declarando que o governante americano pode continuar gostando de qualquer membro da família Bolsonaro, pois gosto não se discute. No entanto, o petista alertou que, se a visão que Trump tem do Brasil se baseia apenas nessa relação familiar, ele demonstra desconhecer a realidade do país. Lula reforçou que o processo democrático brasileiro deve ser conduzido apenas pelos próprios brasileiros, da mesma forma que as eleições nos Estados Unidos cabem apenas aos americanos.

O pivô da discussão, Eduardo Bolsonaro, foi condenado pela Justiça brasileira a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto. O ex-parlamentar foi considerado culpado pelo crime de coação no curso do processo. De acordo com as investigações, ele atuou na capital americana pressionando a favor de taxas alfandegárias contra produtos brasileiros, em uma tentativa de intimidar o STF e evitar que seu pai, Jair Bolsonaro, fosse condenado por envolvimento em uma trama golpista após as eleições de 2022.

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