sábado, 20 de junho de 2026

Lula diz que rico não compra celular roubado, mas pobre sim

Durante um evento oficial em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou repercussão ao comentar os hábitos de consumo de eletroeletrônicos no país e a circulação de aparelhos de origem ilícita. Ao discursar na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, realizada na sede do Itamaraty, o chefe do Executivo declarou que cidadãos de baixa renda costumam adquirir telefones celulares roubados ou furtados atraídos pelos valores mais acessíveis praticados no mercado paralelo. Em sua fala, o presidente pontuou que a população mais rica não recorre a esse tipo de comércio, mas que as pessoas mais humildes acabam comprando devido ao interesse natural de qualquer consumidor em obter produtos por preços menores.

A declaração ocorreu no momento em que o presidente detalhava os próximos passos do programa Celular Seguro, uma iniciativa federal desenhada para desestimular os crimes patrimoniais no país. Lula revelou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública realizou um levantamento técnico apontando que existem atualmente cerca de 2,5 milhões de aparelhos telefônicos frutos de roubo ou furto ativos em todo o território nacional. A intenção inicial do governo federal era utilizar os dados de rastreamento e identificação desses dispositivos para enviar alertas automáticos aos atuais portadores, exigindo a devolução imediata do patrimônio.

No entanto, o plano de emitir as notificações em massa foi temporariamente freado pelo próprio mandatário. Lula explicou aos conselheiros que mudou de ideia após refletir sobre o impacto social da medida, ponderando que muitos compradores adquiriram os smartphones em feiras populares ou de terceiros simplesmente porque o preço cabia no orçamento, sem se darem conta ou checarem a procedência legal do objeto.

O presidente admitiu que a preocupação com a situação financeira e a reação dessas pessoas pesou em sua decisão. Por conta desse impasse social e econômico, o petista informou que acionou o ministro da Justiça, Wellington César Lima, para reavaliar a estratégia de abordagem. O governo agora estuda formatos alternativos para o novo programa de devolução de eletrônicos, buscando uma maneira de recuperar os aparelhos e combater a criminalidade sem penalizar excessivamente os consumidores que agiram por necessidade financeira ou desconhecimento.

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