sexta, 24 de abril de 2026

Lula defende processamento nacional de minerais e assina parceria estratégica com a Espanha

Em visita oficial à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (17), em Barcelona, que o Brasil está aberto a negociar seus minerais estratégicos e terras raras com qualquer nação interessada, desde que o beneficiamento desses materiais ocorra em solo brasileiro. Durante uma coletiva de imprensa ao lado do presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez, Lula reforçou que o país não aceitará ser apenas um exportador de matéria-prima bruta, buscando atrair tecnologia e investimentos para transformar esses recursos em produtos de maior valor comercial dentro de suas próprias fronteiras.

O encontro resultou na assinatura de um acordo de cooperação entre Brasil e Espanha voltado especificamente para o setor de minerais críticos, embora os detalhes técnicos do documento ainda não tenham sido totalmente divulgados. Ao ser questionado sobre o teor da parceria, o presidente brasileiro evitou pormenores, mas destacou que a gestão dessas riquezas é uma “questão de segurança nacional”. Ele argumentou que o Brasil precisa aproveitar o atual cenário de transição energética global para promover o seu desenvolvimento econômico, garantindo que o controle sobre os recursos minerais permaneça sob soberania nacional.

Lula utilizou exemplos históricos para justificar a nova postura do governo, mencionando que ciclos econômicos passados, como o do ouro e o do minério de ferro, não resultaram na riqueza esperada para a população brasileira, pois grande parte do lucro e da transformação ocorria no exterior. O presidente enfatizou que o país não pode desperdiçar a oportunidade oferecida pela natureza e que o compartilhamento de tecnologia será uma condição essencial para futuros parceiros internacionais que desejem explorar o potencial brasileiro na área de minerais essenciais para a indústria tecnológica moderna.

A fala do presidente ocorre em um momento de acirrada disputa global por terras raras, minerais fundamentais para a produção de baterias, veículos elétricos e componentes eletrônicos avançados. Ao condicionar a exportação à industrialização local, o governo brasileiro busca inserir o país de forma mais competitiva nas cadeias de suprimento globais, tentando reverter o modelo tradicional de economia extrativista. A expectativa agora recai sobre os próximos desdobramentos diplomáticos e como o mercado internacional reagirá às exigências de transferência tecnológica propostas pelo Brasil.

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