


Em entrevista concedida ao jornal espanhol El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou forte preocupação com os rumos da política externa dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. O líder brasileiro afirmou que o presidente norte-americano está seguindo um caminho equivocado ao acreditar que a supremacia econômica, militar e tecnológica lhe dá o direito de ditar as regras globais. Para Lula, essa postura baseada na força acaba gerando problemas para o próprio povo americano, citando como exemplo o aumento do preço dos combustíveis decorrente de conflitos internacionais estimulados por Washington.

O presidente brasileiro defendeu que um grande líder deve buscar o respeito das outras nações e não ser apenas uma figura temida. Durante a conversa, Lula ressaltou que Trump precisa decidir que tipo de liderança pretende exercer no cenário mundial, afirmando que o cargo de presidente não dá o direito de ameaçar outros países. O petista também relembrou episódios recentes de tensão comercial, criticando as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil no ano passado. Segundo Lula, os argumentos utilizados por Trump para justificar tais medidas não eram verdadeiros, reforçando que dois chefes de Estado com vasta experiência deveriam conversar com maturidade, independentemente de divergências ideológicas.
Outro ponto central das declarações de Lula foi a dura crítica ao atual modelo da Organização das Nações Unidas. O presidente afirmou que a geopolítica estabelecida em 1945 não reflete mais a realidade de 2026 e cobrou o fim do direito de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança. Em um tom de alerta, ele classificou o conselho como incoerente, apontando que o órgão criado para manter a paz é hoje composto por nações que protagonizam guerras. Para o líder brasileiro, sem uma reforma estrutural na ONU, o mundo corre o risco de caminhar como um navio à deriva em direção a conflitos ainda mais devastadores que os do século passado.









