

O governo federal passa por uma ampla reforma administrativa nesta semana com a confirmação de que, pelo menos, 18 ministros deixarão seus cargos até a noite de quinta-feira (2). O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a primeira reunião ministerial do ano, realizada nesta terça-feira (31) no Palácio do Planalto. A movimentação atende ao prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral, que determina que ocupantes de cargos no Executivo que pretendem disputar as eleições de outubro devem renunciar aos seus postos até o próximo sábado (4).

Durante o encontro, o presidente detalhou que 14 auxiliares já haviam formalizado a saída e outros quatro fariam o anúncio oficial ainda naquela tarde. Lula deixou as portas abertas para novas baixas, ressaltando que eventuais candidatos têm até o limite do prazo para comunicar a decisão. Entre as mudanças esperadas, destaca-se a situação no Ceará, onde o ministro da Educação, Camilo Santana, pode deixar a pasta para disputar o governo estadual, surgindo como um nome forte para enfrentar a oposição local, liderada por Ciro Gomes.
Além de organizar a sucessão nas pastas, o presidente aproveitou a reunião para fazer duras críticas ao atual cenário político brasileiro. Lula citou o ex-deputado Ulysses Guimarães para lamentar o que chamou de perda de seriedade e degradação das instituições. Segundo o petista, a política nacional transformou-se em um “negócio”, demonstrando preocupação com relatos de que uma campanha para deputado federal poderia custar até 50 milhões de reais. Para o presidente, se tais valores forem reais, a integridade do sistema representativo estaria seriamente comprometida.
Ao se despedir dos auxiliares que retornarão às bases eleitorais, Lula afirmou que os ministros candidatos devem levar para a campanha o orgulho do trabalho realizado no Executivo. Ele defendeu que a presença desses nomes no Congresso Nacional é fundamental para combater a “promiscuidade” que, em sua visão, tomou conta do Legislativo. O encontro também serviu para que o governo apresentasse os substitutos das pastas cujos novos titulares já foram definidos, garantindo que os projetos em andamento não sofram interrupções durante o período de transição.









