

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou se aprofundar na polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro durante entrevista concedida nesta quinta-feira. Ao ser questionado sobre o vazamento de áudios em que o parlamentar negocia repasses financeiros com o banqueiro Daniel Vorcaro, Lula declarou que o assunto não compete à Presidência, classificando o episódio como um “caso de polícia”. O petista enfatizou que sua prioridade é a gestão do país, o fortalecimento da Petrobras e a geração de empregos, sugerindo que jornalistas busquem informações com a Polícia Federal ou com o Ministério Público sobre o andamento das investigações.

O centro da controvérsia são gravações de novembro de 2025, realizadas pouco antes da prisão de Vorcaro, nas quais Flávio Bolsonaro cobra recursos para finalizar a produção do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro. O vazamento trouxe à tona discussões sobre a proximidade entre o senador, que é pré-candidato à Presidência, e o dono do Banco Master, investigado em operações policiais. A fala de Lula sinaliza um distanciamento estratégico, deixando para os órgãos de controle a tarefa de apurar possíveis irregularidades na relação entre o político e o empresário.
Em sua defesa, Flávio Bolsonaro alega que não houve qualquer ato ilícito e que o contato com o banqueiro tratava-se apenas de uma busca por patrocínio privado para uma obra cultural sem recursos públicos. O senador explicou que os diálogos ocorreram em um período em que Daniel Vorcaro ainda não enfrentava problemas com a justiça e que a retomada do contato se deu apenas por atrasos no pagamento das parcelas acordadas. Flávio defende que o caso reforça a necessidade de uma investigação ampla sobre o banco para separar interesses privados de crimes e negou o uso de leis de incentivo fiscal ou verbas governamentais na produção do filme.







