

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) trouxe à tona um cenário preocupante sobre a segurança das mulheres que atuam na saúde. O levantamento, feito ao longo de 2025, identificou que quase 300 profissionais da categoria, entre enfermeiras, técnicas e auxiliares, foram vítimas de violência em cidades do interior do estado. Os dados abrangem regiões importantes como Rio Preto, Sorocaba, Bauru e Presidente Prudente, revelando que a agressão contra essas trabalhadoras é uma realidade persistente no ambiente hospitalar e em unidades de pronto atendimento.

A situação é ainda mais grave quando analisado o panorama estadual, onde o conselho estima que mais de 80% dos profissionais de enfermagem já sofreram algum tipo de violência. Como a categoria é composta majoritariamente por mulheres, o Coren-SP destaca que elas enfrentam uma vulnerabilidade dupla: por estarem na linha de frente do atendimento a pacientes que muitas vezes já chegam em situações de conflito e por serem alvos diretos de abusos físicos e verbais. Sorocaba lidera as estatísticas no interior com 81 casos registrados, seguida por São José do Rio Preto com 57 e Bauru com 50 ocorrências.
Diante da repercussão desses números, o poder público começou a se mobilizar para buscar soluções coordenadas. Na última quinta-feira (26), a Câmara Municipal de Presidente Prudente promoveu uma reunião pública em parceria com o órgão de classe para debater estratégias de enfrentamento. O encontro focou na necessidade de fortalecer a rede de proteção e garantir que o atendimento às vítimas seja humanizado, integrando serviços de assistência psicológica e jurídica para que as profissionais se sintam seguras ao denunciar os agressores.
Especialistas e representantes da categoria reforçam que a violência contra a mulher na enfermagem não pode ser normalizada como um “risco do ofício”. A discussão atual propõe a criação de protocolos mais rígidos de segurança nas unidades de saúde e campanhas contínuas de conscientização. O objetivo é garantir que aquelas que dedicam a vida a cuidar do próximo não se tornem estatísticas de um sistema que falha em protegê-las, combatendo desde o desrespeito verbal até casos extremos de agressão física e feminicídio.








