

Um relatório do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) confirmou a presença de bactérias em alimentos servidos por uma pizzaria em Pombal, no Sertão do estado. O estabelecimento é alvo de uma investigação após um surto de mal-estar que afetou mais de 100 clientes e resultou na morte de uma mulher de 44 anos. De acordo com as análises laboratoriais, seis dos sete itens coletados no restaurante — incluindo pizzas, carnes e molhos — apresentaram contaminação pelas bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Não houve registro da presença de Salmonella nas amostras analisadas.

Com base nos resultados, a principal linha de investigação aponta para falhas graves no manuseio dos produtos. Especialistas acreditam que a contaminação pode ter ocorrido durante o preparo dos pratos, possivelmente por meio do contato direto com algum manipulador que apresentasse lesões nas mãos, um fator que facilita a proliferação desses microrganismos. Os dados técnicos já foram encaminhados à Vigilância Sanitária e ao Instituto de Polícia Científica para auxiliar no esclarecimento das responsabilidades.
A pizzaria está interditada desde o dia 16 de março, após uma vistoria da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) identificar diversas irregularidades. Entre os problemas relatados estavam a presença de pragas e insetos, armazenamento inadequado de alimentos, falta de controle de temperatura e ausência de documentação obrigatória. Apesar da confirmação da contaminação nos alimentos, os primeiros exames realizados no corpo da vítima, Raíssa Meritein Bezerra e Silva, não mostraram sinais típicos de intoxicação. Por isso, peritos solicitaram testes toxicológicos adicionais para verificar se outras substâncias podem ter contribuído para o falecimento.
O caso agora é conduzido pelas autoridades policiais sob duas frentes jurídicas: a possibilidade de homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, e o crime de venda de alimento impróprio para o consumo, conforme estabelece o Código de Defesa do Consumidor. A investigação segue em curso para determinar se a ingestão dos alimentos contaminados foi a causa direta da fatalidade ou se houve o agravamento de alguma condição pré-existente da vítima.









