

A perícia psiquiátrica do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) concluiu que o ex-policial militar Eduardo José de Andrade é totalmente lúcido e capaz de entender o caráter criminoso de seus atos. O laudo técnico, emitido no fim de junho e divulgado nesta terça-feira (14), descarta de forma definitiva a hipótese de insanidade mental. Com isso, ele foi considerado plenamente imputável pela Justiça, o que significa que possui capacidade mental para responder criminalmente e ser punido por suas ações.

Eduardo é acusado de assassinar a tiros o jovem Tiago de Paula, de 32 anos, em novembro de 2022, na cidade de Cedral. Na ocasião do crime, o acusado estava de folga da Polícia Militar, mas utilizou uma arma que pertencia à própria corporação para disparar pelo menos sete vezes contra a vítima, que estava calmamente sentada na calçada em frente de casa. O ex-PM foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e por utilizar recurso que dificultou a defesa da vítima.
Durante a tentativa de julgamento desse caso por júri popular, o comportamento de Eduardo assustou a todos. Ele ameaçou cortar as cabeças da juíza e dos jurados presentes na sessão, demonstrando total frieza. No seu interrogatório, o acusado declarou expressamente que não se arrependia do crime e que continuaria matando assim que ganhasse a liberdade. Diante das ameaças graves, um dos jurados afirmou que não tinha condições psicológicas de continuar, o que forçou a juíza a anular a sessão de julgamento, que ainda não tem nova data para acontecer.


No laudo de avaliação, os peritos analisaram o histórico médico do ex-policial, documentos do processo e realizaram entrevistas diretas com ele. Embora os especialistas tenham identificado que Eduardo apresenta sintomas de ansiedade, insônia e histórico de uso de cocaína, eles reforçaram que esses fatores em nada afetaram sua capacidade de entender o que estava fazendo no momento dos crimes. Pelo contrário, a perícia destacou que ele agiu de maneira organizada e planejada, sem apresentar sinais de delírio ou alucinação.
Os médicos também apontaram que o fato de Eduardo ter sido aprovado nos testes psicotécnicos da Polícia Militar afasta qualquer suspeita de atraso mental. A recomendação dos peritos é que ele receba apenas tratamento psicológico comum na prisão, sem qualquer necessidade de internação em hospital psiquiátrico. Atualmente, Eduardo já cumpre uma pena de 29 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de João Gonçalves Filho, morto em 2025 devido a uma dívida de drogas, crime no qual o ex-PM atuou como mandante e que também resultou na perda definitiva de seu cargo na corporação.








