domingo, 10 de maio de 2026

Justiça veta execução de detento que acredita ser imortal

Uma juíza da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, suspendeu a execução de John Richard Wood, de 59 anos, que estava programada para ocorrer via injeção letal. O condenado, que cumpre pena pelo assassinato de um policial ocorrido há mais de duas décadas, foi considerado mentalmente incapaz de enfrentar a punição capital. Segundo a decisão da magistrada Grace Knie, o estado de saúde mental do detento impede que ele compreenda de forma racional o motivo de sua punição ou a própria natureza da sentença de morte.

A decisão judicial foi baseada nos laudos de três especialistas, incluindo um psiquiatra da promotoria e outro independente, que concordaram que Wood sofre de esquizofrenia grave. O quadro clínico do prisioneiro é marcado por delírios profundos: ele acredita piamente ser imortal, afirma já ter morrido e ressuscitado três vezes no corredor da morte e está convencido de que voltará à vida caso a execução seja realizada. Além disso, o detento manifesta a crença de que já recebeu um perdão oficial do governador do estado, o que não aconteceu.

John Richard Wood foi condenado em 2002 pelo assassinato do policial rodoviário Eric Nicholson, ocorrido durante uma abordagem de trânsito no ano de 2000. Na ocasião, o criminoso disparou cinco vezes contra o agente e feriu outros dois policiais durante a perseguição. Com a nova decisão, ele se torna o primeiro prisioneiro na Carolina do Sul a ser declarado legalmente inapto para a execução desde que o estado retomou a aplicação da pena de morte, em setembro de 2024, após um hiato de 13 anos provocado pela dificuldade de obter os fármacos letais.

O caso ocorre em um momento de intenso debate sobre a pena de morte nos Estados Unidos. Somente em 2025, o país registrou 47 execuções, o maior índice em 16 anos, sendo a grande maioria realizada por injeção letal. Enquanto 23 estados já aboliram a prática, outros buscam alternativas para viabilizar as sentenças, como o uso de pelotões de fuzilamento, método recentemente autorizado para crimes federais e já permitido em cinco estados americanos, incluindo a própria Carolina do Sul. No momento, o futuro de Wood depende de novas avaliações sobre sua saúde mental, uma vez que a lei proíbe a execução de pessoas que não tenham clareza sobre o ato que lhes será imposto.

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